Companhia disse que não tem mecanismos para deter as manchas do produto antes que elas cheguem à costa. Mais de 340 toneladas já foram recolhidas do litoral pela empresa.
Por Daniel Silveira, G1
Jornal da Cidade - 25/10/2019 
Mancha de óleo é encontrada em Suape, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Salve Maracaípe/Reprodução/WhatsAppMancha de óleo é encontrada em Suape, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Salve Maracaípe/Reprodução/WhatsApp
O óleo encontrado nas praias do Nordeste brasileiro é proveniente de três campos da Venezuela, informou a Petrobras nesta sexta-feira (25).

"Quando a gente fez a análise em mais de 30 amostras, a gente concluiu que era de três campos venezuelanos, era um brent [petróleo cru]. A origem do petróleo é lá", disse o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto.
"A origem do vazamento é outra coisa. A origem do vazamento a gente entende que é da costa brasileira", completou. A afirmação foi feita durante entrevista para divulgação dos resultados da empresa no terceiro trimestre.

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'Agulha no palheiro'
A petroleira disse ainda não ter mecanismos técnicos para impedir a chegada do óleo vazado no mar às praias. Mais de 340 toneladas do material já foram recolhidas da costa brasileira pela empresa desde setembro, quando foram identificadas as primeiras manchas no litoral nordestino.

A estatal não teria responsabilidade pelo vazamento, mas faz mobilização para a limpeza das praias por um acordo com o governo.

"Fica praticamente impossível você pegar esse óleo e segurar com barreiras e outros instrumentos que a gente tem. Então, o mecanismo de captura tem sido quando a maré e a corrente jogam para a praia. Infelizmente tem sido desse jeito porque os mecanismos que a gente detém são agulha no palheiro para pegar, por conta da característica do óleo", disse o diretor.

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Segundo Neto, tão logo foi acionada pelo Ibama sobre o surgimento do óleo nas praias, a Petrobras se mobilizou para identificar o vazamento e recolher o material que chega à costa.

"Pela característica do óleo, [ele é] diferente dos óleos que a gente produz aqui, que sobrenadariam por ter uma densidade menor que a da água do mar. [Nesse caso] a gente pegaria por imagens de satélite e poderia fazer um combate mais antes que chegasse na praia", reforçou o diretor.

Considerando as características do óleo encontrado, a Petrobras aponta a Venezuela como origem do produto. Já sobre as direções que as manchas de óleo percorrem pela costa brasileira, a companhia presume que ele vazou de um ponto distante do continente, onde há uma bifurcação de correntes marítimas.

"Esse caso, ao que tudo parece, é um navio que passou por aqui, ou que afundou, a gente não sabe. A Marinha está investigando, isso não cabe à gente investigar", destacou Neto.
A empresa enfatizou que mantém sua mobilização para limpeza das praias.

Questionada sobre as ações voluntárias de limpeza, que tem colocado pessoas em risco, devido à toxicidade do óleo, a Petrobras disse que está enviando Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para as comunidades litorâneas a fim de evitar que os voluntários tenham contato direto com o óleo. O EPI inclui luvas, macacão e botas.

Perguntada também sobre os custos desta ação, já que a Petrobras não seria a responsável pelo vazamento, o diretor Eberaldo Neto adiantou que foi feito um acordo com o governo.

"Se a gente tem algum dispêndio, a gente tem que ser ressarcido. Sobre quanto vai custar, isso já foi discutido e está sendo contabilizado em paralelo. O nosso foco principal tem sido a limpeza das praias e continuaremos mobilizados até que cesse o aparecimento desse óleo", afirmou Neto.

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