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Categoria: Diversos
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Estação Roça Grande/MG em 1960 - Brasil atrasado em relação ao mundo

Ternuma Regional Brasília
 Agnaldo Del Nero Augusto - General de Divisão Reformado

Versão sintética de um período importante da história do país, destinada aos jovens, impregnados pela Mitologia Histórica, criada pelos comunistas, em substituição à Memória Nacional por eles deturpada. No início e meados do século XX, nosso País teve que enfrentar muitas dificuldades para manter a democracia e para vencer as barreiras que se opunham ao seu desenvolvimento, a fim de tirá-lo da posição marginal que vinha ocupando na história e torná-lo – ao contrário do que parecia ser o destino dos países periféricos – um país viável. Se refletirmos sobre essa proposição, constataremos que se trata de uma tarefa gigantesca.

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Poucos são os que, pela própria idade, conheceram ou imaginam quão atrasado era nosso país nessa época. Por exemplo, uma ligação telefônica entre Pirassununga, no interior paulista e São Paulo, capital do Estado mais avançado, demorava de 4 a 6 horas, quando se completava. Por quê?

A maioria das cidades tinha sua própria companhia telefônica que geria uma central para atender parte dos seus habitantes. Normalmente, não se ligava lateralmente. Em direção à capital havia uma coordenação e as ligações se faziam de cidade a cidade até alcançar a capital. Os postes de sustentação dessas linhas eram usualmente varas de eucalipto, mas havia até cidade em que eram de bambu-açu. Em um e outro caso, uma ventania mais forte derrubava parte desses suportes e a ligação era interrompida por alguns dias e até semanas, dependendo da presteza e capacidade das prefeituras

Problema semelhante ocorria em uma viagem nesse mesmo trecho, de cerca de 200 km, de ônibus ou automóvel. Levava-se de 5 a 6 horas, quando se chegava. Por quê ? As estradas, no centro do Estado de São Paulo, ainda nos anos 50/60, eram de terra. Não é preciso explicar mais nada, mas é possível imaginar o que ocorria no restante do país.

 Nossa infra-estrutura era precaríssima. Uma marcha carnavalesca complementava essa visão deplorável. Referia-se à capital do país. Seu título: Rio de Janeiro cidade que seduz e seu estribilho: de dia falta água, de noite falta luz, retratava uma realidade insofismável.

Na área social a deficiência ficava, no mínimo, no mesmo plano.

Vejamos uma área da maior importância, a educacional. Em 1963, o Brasil aplicava somente 2,1% do PIB em educação. A escolarização obrigatória alcançava apenas as crianças de 7 a 10 anos de idade, ou seja, um período de 4 anos, que só era igual a de três países africanos.

Tínhamos 132 universitários para cada bloco de 100 mil habitantes, enquanto a Argentina já tinha mais de 700 e o Chile e o Uruguai mais de 600.

Das 135 mil escolas primárias, 70% eram de uma sala só, com um só professor lecionando para todas as séries. De cada mil crianças que iniciavam o curso primário, menos da metade chegava à 2a série. O contingente de analfabetos era assustador. No senso escolar de 1970, o primeiro do gênero realizado no país, apurou-se que 32% da população, correspondente a cerca de 30 milhões de brasileiros, eram analfabetos.

Da oferta de ensino secundário, 74% provinham das escolas particulares, negando-se, pois, ao pobre o acesso ao ginásio. Não havia cotas, nem diferença de cor: preto, índio, ou branco, sem dinheiro não tinha como estudar, a carência era total. Não havia nem mesmo essas diferenças de cor e raça, que atualmente esforça-se a acirrar. Nas poucas escolas públicas tinha-se que enfrentar o exame de admissão ao ginásio, um primeiro funil.

O homem do campo, ainda a maioria da população, não tinha nenhum apoio do governo. Não tinha apoio de saúde, educação e previdência. Não tinha aposentadoria, pensão, então, nem pensar. O idoso vivia da caridade da igreja ou de parentes, ou ia para as ruas pedir esmola para sobreviver. Algo parecido acontecia com os empregados domésticos e outras categorias profissionais que não contavam com previdência.

A mudança dessa situação era uma aspiração permanente. Podemos percebê-la nitidamente no Tenentismo. Este foi um movimento que surgiu nos anos vinte entre a jovem oficialidade militar. Considerava a corrupção o vício fundamental do regime. Agitava a vida nacional com a pregação do voto secreto, para moralização das eleições fraudulentas que permitiam a manutenção das oligarquias e seus privilégios. Para diminuir o poder dessas, pretendia uma maior centralização do poder no governo federal. Propugnava pela regeneração nacional e pela modernização. Defendia mudanças radicais na Administração e no nível de consciência nacional.

 O desejo de desenvolvimento explica-se, por serem os recursos proporcionados pelo crescimento econômico, que custeiam e permitem aprimorar os maiores benefícios sociais – os programas habitacionais e os serviços públicos de saúde, as aposentadorias e pensões; o auxílio contra o desemprego, o ensino básico gratuito e as bolsas educacionais, a reciclagem profissional, o planejamento urbano etc. Nada disso se mantém a contento e muito menos se melhora sem os recursos carreados pela vitalidade econômica, inclusive a manutenção das vagas de trabalho já existentes e a criação de emprego ao enorme contingente de jovens que ingressa anualmente no mercado de trabalho.Enfim, é o desenvolvimento, que permite aos países bem sucedidos assegurar o que se convencionou chamar os direitos fundamentais: ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência.

Por que tivemos que lutar para manter a democracia e a liberdade é o que procuraremos responder no próximo artigo