General reformado Carlos Augusto Fernandes dos Santos
Quem de nós ,ao longo da vida, não amealhou contrariedades no quotidiano estressante, na profissão e , até mesmo, na família. Rusgas , discussões estéreis , que só serviram para dividir as confrarias: familiares, de grupos diversos ou de natureza profissional. Quantos amigos perdemos quando fomos presas dos nossos mais baixos sentimentos : intolerância, impaciência, inveja, ganância, vaidade e ódio.
Quanta perda de tempo em uma vida curta que , sem sentirmos , prossegue e termina, às vezes, abruptamente. Depois de quebrar a confiança, a camaradagem, o fraterno convívio e a afeição familiar, é muito difícil recompor o estrago feito . Quanto mais velhos ficamos, pior. “A marca da emenda fica na taça partida”.


Desavenças políticas, então, alimentadas por “salvadores da pátria” de ideologias autoritárias e seguidores fanáticos, só servem para dividir, ainda mais, grupos de amizade e parentes próximos de inúmeras famílias. Quanta incoerência e insensatez! Não respeitamos a opinião dos outros e esquecemos que justamente DEMOCRACIA , tão badalada e repetida, é o regime dos contrários, do convívio civilizado entre indivíduos com opiniões antagônicas.
E por que as desavenças e os confrontos se exacerbam e não somos capazes de conviver harmoniosamente com as naturais diferenças ? A última tentativa política, anterior à promulgação da Constituição de 1988 , a Lei da Anistia, foi arquitetada ao final do Período dos Governos Militares com o nobre objetivo de desarmar espíritos .

Imaginavam os que a promoveram , a obtenção de um consenso mínimo, para que o país pudesse seguir na senda do desenvolvimento e na esperança de que fosse capaz de resolver os históricos problemas de uma nação cheia de carências: igualdade de oportunidades, distribuição de renda justa , criação de empregos e sobretudo concórdia pelo o esquecimento das violências perpetradas pelos lados em confronto.

Apesar da Lei da Anistia ter sido discutida, aprovada e reaprovada pela Suprema Corte, continua sendo desconsiderada por radicais inconformados. As “Comissões das Meias-Verdades” confirmam a afirmação anterior. Uma ex-guerrilheira resolveu conduzir o processo, “escolhendo” os “isentos”membros !!!

Na semana passada, o STF, em infeliz decisão que desapontou a maioria dos brasileiros conscientes e os esforços de inúmeros juízes no combate à corrupção, resolveu “mexer no vespeiro”, permitindo a soltura de figuras “poderosas” , políticos e empresários corruptos que assaltaram os cofres públicos ,todos condenados em segunda instância. Quem tem dinheiro e advogados caros, já foi ou será solto.
Apesar dos esforços do presidente do STF e dos Ministros que decidiram em apertado escore , usando como biombo protetor, para justificarem seus longos e cansativos votos, artigos do Código Penal e da Constituição Federal, o bom senso indicava justamente o contrário.

Essa estranha decisão , para a maioria da população, teve o claro objetivo de beneficiar LULA , criminosos poderosos e empreiteiros corruptos. Não conseguiram os juízes convencer a nação e colaboraram para reabrir feridas e aumentar a impunidade , estabelecendo , ainda, um clima de perigosa insegurança jurídica. Incompreensível que homens experimentados que lidam no quotidiano com a análise de processos e o julgamento de criminosos condenados em instâncias anteriores, não percebam o mal que fizeram “colocando mais lenha da fogueira” das intransigências costumeiras. Desconsideraram as “ evidentes circunstâncias “.

Para piorar o clima de confronto, o ex-presidente LULA deixou a prisão em Curitiba atirando farpas, agredindo SERGIO MORO e convocando seus adeptos para a luta e a total anulação das decisões do magistrado . Espera, apesar das evidências, ser inocentado dos crimes que responde na justiça. Ou seja , em vez de apaziguar os ânimos , na busca de uma conciliação benéfica, “pintou-se” , como é do seu feitio e dos seus correligionários , mais uma vez para a guerra.

Até hoje, a “esquerda raivosa”, que abriga todos os inconformados e os adoradores de LULA, não aceitou a democrática derrota nas eleições de outubro de 2018. Para ela, “os reacionários conservadores” são incapazes de solucionar as carências dos pobres; a “bula do remédio” e a “fórmula do bolo” lhes pertencem.

CAXIAS , Patrono do Exército Brasileiro, durante o segundo império,fazia justamente o contrário. Sempre que vencia , respeitava os vencidos. Juntamente com importantes políticos , teve papel fundamental na construção de inúmeras convergências, buscando sempre a conciliação com os perdedores ; sabia que desavenças e confrontos nada constroem. Nessa quadra importante e decisiva que vivemos ,o virtuoso exemplo de CAXIAS, o PACIFICADOR, deveria servir de exemplo.

Inútil pensar o contrário:
“Sem conciliação e entendimento dos homens de bem que possuem visões de mundo distintas , não haverá o Progresso e a Pacificação que o Brasil tanto necessita.”
É preciso lembrar que o país é muito maior do que nossas mesquinhas diferenças e discutíveis opiniões e certezas.
General Ref Carlos Augusto Fernandes dos Santos- Porto Alegre- RS- 24/11/2019

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