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Jussara Soares - O Globo - 13/12/2019
O presidente Jair Bolsonaro está determinado a vetar qualquer acréscimo no fundo eleitoral além dos R$ 2 bilhões propostos pelo governo, mesmo sob o risco de as campanhas municipais do próximo ano ficarem sem verbas.

O aviso foi repassado a seus líderes no Congresso, que negociavam diminuir de R$ 3,8 bilhões — já aprovado em uma comissão mista do Senado e da Câmara dos Deputados — para R$ 2,5 bilhões, numa tentativa de que o presidente sancionasse o menor valor
Bolsonaro, segundo um integrante do Planalto, avalia que aprovar um valor acima dos R$ 2 bilhões vai provocar um desgaste político desnecessário com seu eleitorado, justamente em um momento em que está sem partido.

“NUNCA PRECISOU” – Em meio à disputa pelo fundo partidário, o presidente deixou o PSL no mês passado para criar uma nova legenda, o Aliança pelo Brasil. Em conversas reservadas, o presidente tem justificado que “nunca precisou de fundo eleitoral para se eleger” e enfatizado que venceu a eleição “com poucos recursos”.

Na prestação de contas final entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha de Bolsonaro declarou ter recebido R$ 4,3 milhões e gasto R$ 2,8 milhões, ficando com uma sobra de R$ 1,5 milhão que foi transferida ao PSL.

De acordo um interlocutor, o presidente ficou irritado com a informação de que o governo teria autorizado a negociação para definir o fundo em R$ 2,5 bilhões. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), foi um dos que costuravam, em nome do Planalto, o acordo por este valor.

NEGATIVA – Em transmissão nas redes sociais, Bolsonaro negou ter prometido sancionar o fundo eleitoral por R$ 2,5 bilhões: “A imprensa falou que estaria bancando a sanção caso o Congresso aprovasse R$ 2,5 bilhões para o fundo eleitoral. Deixar bem claro: eu não toquei nesse assunto. Essa imprensa não cansa de mentir. O cara quer saber na ponta da linha: `Você vai vetar ou sancionar?´. Eu tenho que ver o que acontece lá. Tem alguns mais exaltados que acham que eu posso interferir no Legislativo, no Judiciário. Não posso interferir. E nem quero. Isso aí nem faz parte da democracia”, afirmou.

Em agosto, na primeira versão do orçamento enviada ao Congresso, o governo previu teto de R$ 2,5 bilhões para o fundo. Há duas semanas, reduziu a previsão de R$ 2 bilhões. O relator do projeto de lei Orçamentária, Domingos Neto (PSD-CE), sugeriu o limite maior, de R$ 3,8 bilhões. Parlamentares agora já admitem novo acordo por R$ 2 bilhões.

INCÓGNITA – “Acima de R$ 2 bilhões, acho que o presidente veta. Não adianta aumentar se não tiver voto para derrubar o veto. Na Câmara, temos número (para derrubar o veto), mas no Senado é uma incógnita”, disse Elmar Nascimento (BA), líder do DEM.(Colaboraram Bruno Góes e Isabella Macedo )

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