Apesar de guerra ter sido evitada, novas ameaças iranianas mostram que a crise continua
O Globo e New York Times
09/01/2020 - 11:09 / Atualizado em 09/01/2020 
O líder supremo Ali Khamenei se reune com o novo o novo comandante das Forças Quds, Esmail Qaani, o Chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, e o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein 
TEERÃ — Um dia após o presidente americano rejeitar qualquer retaliação direta ao ataque do Irã contra bases que abrigam soldados americanos no Iraque, o tom das declarações oficiais sobre a crise no Oriente Médio voltou a subir. Um comandante iraniano declarou que a República Islâmica, em breve, realizará uma “vingança mais dura” contra os Estados Unidos em retaliação ao ataque aéreo ordenado pelo presidente Donald Trump que matou o general Qassem Soleimani, comandante das Forças Quds, unidade de elite das Forças Armadas responsável pela articulação de grupos pró-Irã em países como Síria e Iraque

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Em declarações para a agência de notícias Tasnim, Abdollah Araghi, comandante sênior da Guarda Revolucionária, disse que Teerã “irá impor uma vingança mais dura ao inimigo em um futuro próximo”. Segundo a versão em língua inglesa do mesmo veículo, o vice-general da Guarda, Ali Fadavi, também jurou uma retaliação mais brusca.

— A operação foi apenas mais uma manifestação de nossas capacidades. Nenhum país já fez um ato tão grande contra os Estados Unidos como nós. Nós jogamos dezenas de mísseis no coração da base dos EUA no Iraque e eles não puderam fazer coisa nenhuma — disse Fadavi.

O novo comandante das Forças Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária, Esmail Ghaani, divulgou um comunicado nesta terça-feira prometendo continuar a seguir a agenda regional traçada por Soleimani. Ele também reforçou declarações feitas previamente pelo aiatolá Ali Khamenei e pelo presidente Hassan Rouhani de que o resultado final da operação iraniana será expulsar as tropas americanas do Oriente Médio.

Como não houve mortes e os danos do ataque iraniano foram limitados a instalações militares, vieram à tona especulações de que o Irã teria deliberadamente optado por não mirar alvos civis. Isto foi confirmado nesta quinta-feira pelo chefe da Força Aérea da Guarda Revolucionária, Amirali Hajizadeh. À tv estatal, ele disse que o alvo do ataque não era os soldados dos EUA, mas sim a “máquina militar” americana.

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