Empresa alega que área na Bahia pertence a um de seus fornecedores.
Por Tiago Décimo, SALVADOR

O estado de São PauloCerca de 800 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram na madrugada de ontem a Fazenda Putumuju, ocupada com plantações de eucalipto, no município de Eunápolis (BA), a 658 quilômetros de Salvador. Os invasores passaram o dia derrubando árvores, afirmando que irão plantar milho e feijão. Espera-se para hoje a chegada de mais mil pessoas à fazenda.

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O objetivo da ação, segundo o MST, é pressionar o governo para que acelere as desapropriações de terras para a reforma agrária. "Há dois anos o Estado não promove desapropriações", disse Márcio Matos, dirigente regional do movimento.

Ainda segundo Matos, a Putumuju, com 4,7 mil hectares, encontra-se em área devoluta e deveria ser utilizada para a reforma agrária. Em vez disso estaria sendo usada pela Veracel Celulose com eucaliptos, para a produção de papel.

A Veracel não se pronunciou sobre a invasão. Informou apenas que utiliza a área, pertencente a um de seus fornecedores, que não foi localizado ontem.

A invasão faz parte do chamado "abril vermelho" - movimentação realizada anualmente pelo MST para lembrar a morte de 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás, no Pará, durante confronto com a Polícia Militar, em 1996. De acordo com essa agenda, nos próximos dias as invasões serão intensificadas na Bahia e em outros Estados.

 

CRÍTICAS

Na terça-feira à noite, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, o economista João Pedro Stedile, principal líder do MST, voltou a criticar o agronegócio, definido por ele como "aliança entre o capital financeiro, corporações da indústria agrobioquímica e o latifúndio".

Stedile participava de um colóquio, organizado pela Comissão de Justiça e Paz da CNBB, sobre a função social da terra. Indagado se o MST não estaria perdendo de vista seu objetivo principal, a redistribuição de terras no Brasil, para se concentrar no ataque ao agronegócio, ele respondeu: "É o agronegócio que está avançando sobre nós, por isso estamos nos defendendo. Não perdemos o foco."

O líder dos sem-terra afirmou que o capital financeiro está aproveitando a crise econômica para ampliar seus investimentos em setores estratégicos, como energia, água e biodiversidade. "Quando acabar a crise, a transformação desses recursos em mercadoria terá a melhor conversão em lucro, se comparada com outros investimentos", afirmou.

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