Aviso fúnebre! O sonho da República Sindicalista do PT já morreu e não sabe…
Posted on 14 de fevereiro de 2020, 05:00 by Tribuna da Internet
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Carlos Newton
Sonhar ainda não é proibido, todos sabem, o PSDB pretendia ficar 20 anos no poder. O primeiro passo para concretizar o sonho foi aprovar a emenda da reeleição para cargos executivos (presidente, governador e prefeito), que Fernando Henrique Cardoso mandou comprar por 30 dinheiros, que na época equivaliam a R$ 200 mil reais, algo em torno de quase R$ 1 milhão nos dias de hoje

O tesoureiro da operação 20 anos era o ministro Sérgio Motta, que era apelidado de “trator”, devido à prática de jogar pesado contra os adversários, mas acabou morrendo precocemente, abatido pelos vírus que frequentavam os aparelhos de ar condicionado de seu ministério (Comunicações), o maior importante do governo FHC.

FHC TRAIU O PSDB – O sonho dos 20 anos acabou porque FHC, na obsessão de voltar ao poder quatro anos depois, traiu o PSDB em 2002 e não deu a menor força ao candidato de seu partido, José Serra, ex-ministro da Saúde que fizera um trabalho extraordinário, ao criar os genéricos, derrubar patentes farmacêuticas e implantar o bem-sucedido programa de combate ao HIV.

FHC fez corpo mole e permitiu o avanço de Lula da Silva, que quase venceu no primeiro turno, com 46.44% dos votos, enquanto o tucano Serra só chegava a 23,20%. No segundo turno, foi um arraso, com Lula chegando a 61,27%, enquanto Serra não passou de 38,73%.

Deu tudo errado. FHC pensou (?) que Lula ia fracassar no governo e permitir que o PSDB voltasse ao poder em 2006. Não somente Lula de reelegeu derrotando Geraldo Alckmin, que conseguiu ter menos votos no segundo turno do que obtivera no primeiro turno, como depois elegeu o poste Dilma Rousseff em 2010 e repetiu a dose em 2014.

Mas qual a diferença entre os projetos políticos do PSDB e do PT. Bem, enquanto os tucanos não tinham programa algum, apenas queriam retomar o poder, os petistas executavam o hábil plano de José Dirceu, que sonhava em implantar no Brasil a primeira República Sindicalista do mundo e quase conseguiu.

GRANDE ARMA DO PT – Realmente, os sindicatos eram a grande arma do PT. Desde sua criação, em 1980, o partido incentivava a criação de sindicatos dos trabalhadores. Os empresários, é claro, se sentiram ameaçados e passaram a fundar sindicatos patronais.

Em 2002, quando Lula se candidatou pela quarta vez, o Brasil já era o país com maior número de sindicatos, federações, confederações e centrais de trabalhadores.

Estatística divulgada pelo IBGE às vésperas do primeiro turno mostrava que o número de sindicatos de trabalhadores e patrões aumentara 43% desde 1992. Em 2001, já eram 15.963 entidades, ante apenas 11.193 em 1991.

EM QUEDA LIVRE – As estatísticas são imprecisas, mas sabe-se que o número de sindicatos no Brasil passou dos 17,2 mil em 2017, já no governo Michel Temer. Ao mesmo tempo, África do Sul e Estados Unidos tinham cerca de 190 sindicatos cada; Reino Unido, 168; Dinamarca, 164; e a Argentina, apenas 91.

A obrigatoriedade da contribuição sindical tinha sido instituída por decreto no governo Castelo Branco em 28/2/1967. Só foi extinta na reforma trabalhista de 2017, no governo de Michel Temer, e foi o mais acertado ato de sua gestão.

Sem a obrigatoriedade do imposto, a imensa maioria dos sindicatos tende simplesmente a desaparecer, pondo fim ao sonho da República Sindicalista, que quase se concretizou.

GRAÇAS A TEMER – Para se ter uma ideia do bem que o governo Temer e o Congresso Nacional fizeram ao país nesse particular, basta citar a queda de arrecadação dos entidades sindicais, como um todo. Em 2017, os sindicatos faturaram R$ 1,5 bilhão. No ano seguinte, em 208, a receita diminuiu mais de 90% e foi de apenas R$ 138,4 milhões, despencando para R$ 24,3 milhões em 2019.

As federações também tiveram um baque espantoso. Em 2017, arrecadaram quase R$ 400 milhões, mas caíram para R$ 36 milhões em 2018, e em 2019 receberam míseros R$ 6,6 milhões.

CUT VAI FALIR – As confederações desabaram no mesmo buraco negro. Tinham recebido R$ 213,3 milhões em 2017, depois caíram para R$ 19,8 milhões em 2018 e fecharam 2019 com apenas R$ 2,5 milhões de receita. Por fim, as outroras poderosas centrais sindicais faturaram R$ 153,5 milhões em 2017, no ano seguinte a arrecadação foi de apenas R$ 13,3 milhões, fechando 2019 com apenas R$ 3,6 milhões, dois quais a CUT recebeu apenas R$ 442 mil.

Isso significa que não haverá mais fretamento de ônibus, distribuição de camisetas, pagamento de diárias para militantes e distribuição de quentinhas, tubaínas e sanduíches de mortadela. Assim, a República Sindicalista entra para a História como homenagem à Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido, como dizia o genial Dias Gomes.

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P.S. – A criação de sindicatos saiu tanto do controle que surgiram casos esdrúxulos como o “Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais do Estado de São Paulo“, uma entidade que é igual à jabuticaba e só existe no Brasil. (C.N.)

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