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 Exmo Sr Gen Cmt EB
Porto Alegre, RS, 12 de novembro de 2006.
Excelentíssimo Senhor General de Exército
FRANCISCO ROBERTO DE ALBUQUERQUE

MD Comandante do EXÉRCITO BRASILEIRO


Ilustre Senhor

Sou Oficial Reformado; fui declarado Aspirante-a-Oficial em 06 de janeiro de 1956 da Arma de INFANTARIA; freqüentei a EsAO em 1965 e concluí a ECEME em 1975.

Servi em várias Unidades e Grandes Unidades e, em certa época, por Portarias Ministeriais, permaneci durante 04 (quatro) anos à disposição do MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA como Instrutor.

Texto completo


 

Fui transferido para a Reserva – por ter requerido – quando servia no Corpo Permanente da ESG na Função de Assistente-Secretário do então Gen Ex Cmt/ESG.

Enquanto estive servindo na Ativa, por designação de Comandantes, durante muitos e muitos anos, exerci Funções de Segurança e de Informações – quer como S/2, Chefe de Polícia, E/2, Instrutor e outras. Também, freqüentei Estágios e Cursos vinculados às Áreas de Segurança e de Informações.

Em todas, mercê de DEUS e com muita dedicação – para compensar a falta de talento – tive razoável desempenho.

Ao ser transferido para a Reserva, tive a ventura de merecer referências de elogios por parte do então Comandante por ter sempre buscado o cumprimento de meus deveres além e acima do exigido.

Excelentíssimo Senhor General, se escrevo isso – que até poderá ser tomado como vaidade minha – é para buscar a caracterização de que Velho Soldado sou e que já passei por variadas e diferentes situações que não me abalaram mais do que o normal para qualquer homem de bem e temente a DEUS.

Ocorre, Senhor General, que nos últimos anos – ao mesmo tempo que mais se aproxima a Viagem Eterna - me assaltam preocupações nunca dantes vividas.

Refiro-me, por óbvio, ao revanchismo de pessoas desqualificadas que até recentemente eram tidas como ilegais e graças à Lei da Anistia se equipararam aos legais .

Pois ocorre, Excelência, que essas pessoas em lugar de estarem reconhecidas aos nossos Dirigentes da época por terem buscado a Anistia Geral e Irrestrita garimpam fatos não verdadeiros e/ou exageram no que foram submetidas e passam a idéia de serem vitimas da sanha de “torturadores, algozes, bandidos“ quando, em verdade, foram combatidas por estarem à margem da Lei e da Ordem.

Temos - novamente, os Velhos Soldados – com enorme tristeza, tomado conhecimento da concessão de Indenizações e Pensões Especiais para supostas vitimas de “perseguição política” quando – na realidade – foram marginais.

Conforme AURÉLIO: ”... marginal... viver à margem da Lei... fora-da-lei...”.

Permito-me não citar nomes posto que são conhecidos via publicação em Diário Oficial da União. Os fatos alegados são falsos e restam mais do que comprovados; a maioria, até em Livros, Artigos e Declarações de antigos parceiros de ações ilegais.

Mas, ilustre General, não é exatamente essa a questão; as Indenizações e Pensões são – como regra geral – tão absurdas que até a Mídia Chapa Branca, vez por outra reconhece tais discrepâncias.

O que me traz medo – medo não é covardia – é a sensação de que um Velho Soldado que cumpriu com honra os deveres, a qualquer momento pode ser acusado de prática de crime no cumprimento desse dever e, pior de tudo, o EXÉRCITO BRASILEIRO – a quem serviu desde a juventude – não ter( para com ele ) a mínima solidariedade .

Vossa Excelência, por óbvio, já percebeu a que me refiro:

  - o affaire envolvendo o Coronel Reformado CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA que está sendo acusado – em Ação Declaratória – de ser torturador.
 

De pronto, desejo esclarecer :

-  não sou parente, não sou de mesma Turma, não freqüentei Curso e nem servi com o ilustre Coronel USTRA ; o conheço por informações e por relatos de Oficiais e Praças que o conhecem pessoalmente e o admiram por ser o que foi e é;

-  nem na EsNI, quando lá estive como Instruendo e ele era Instrutor, o conheci ;

-  nunca, em tempo algum, tive um só encontro com o distinto Cel USTRA e ele, por óbvio, nem sabe que existo ;

-  repito : se o conheço é somente por informações de Militares que serviram com o mesmo e o respeitam como Oficial digno e merecedor de todos os elogios, homenagens e honras ;

-  li, também, seus Livros e alguns Artigos que mais recentemente circulam pela Internet ;

-  assim como ele (Cel USTRA) em cumprimento de Ordens e por total convicção própria combati durante anos os subversivos/comunistas que agora se apresentam como “heróis da democracia”.

Pois, Excelência, o que está ocorrendo com o Cel Ref CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA me traz a enorme preocupação de que, mais dia, menos dia, qualquer marginal poderá, também, lançar uma acusação sobre meu passado e estarei à mercê da infâmia/calunia/injúria dele ( marginal transvertido de herói) e apoiado pela Mídia Chapa Branca e por muitos Dirigentes que foram, à época, também, ilegais.

Claro que a Lei de Anistia os livrou ( repito :”... marginais ...- conforme o AURÉLIO- : ... viver à margem da Lei... fora-da-lei...”) de quaisquer punições; porém, desde sempre, a Lei da Anistia tem sido uma VIA DE MÃO ÚNICA, isto é, só estendeu o manto do esquecimento sobre os subversivos e esqueceu dos LEGAIS.
 
Senhor General, digníssimo Comandante, não entenda o que escrevo como uma crítica ao esquecimento por parte do  Alto Comando do EXÉRCITO das palavras do então Ministro WALTER PIRES que tomo a liberdade de lembrar:


  "Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade,  cumpriram o duro dever de se opor a agitadores e terroristas, de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia".


Se não for esquecimento, por favor, determine a um Assessor informar as razões de não ter sido amplamente divulgada a solidariedade do ALTO COMANDO DO EXÉRCITO BRASILEIRO  ao Coronel Reformado CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA.

Lógico que não é esperada a solidariedade do Sr Ministro da DEFESA; dele, nem pensar.

A (solidariedade) dos homens de FARDA  era (e, é, ainda) aguardada. Se foi enunciada e divulgada, por favor, releve a não leitura por parte deste Velho Soldado ; talvez a minha quase senilidade tenha causado o desconhecimento ; ainda que julgue impossível pois o assunto ( falta de solidariedade) tem sido comentado largamente e não tem circulado o tão esperado apoio.

Tenho a exata noção que a maneira de Comandar é característica de cada homem; uns são assim e alguns, são de outra maneira.

Registra a História que NAPOLEÃO usava uma Jaqueta de cor vermelha para que, em caso de ser ferido e sangrar, a cor da farda escondesse a mancha de sangue e, assim, não seria alvo de dó e pena; atualmente, alguns ( não poucos ) usam roupas intimas próprias à condução de dinheiro ; repito : cada um procede como é sua característica.

Senhor General, não considere ato de indisciplina e/ou arranhão à hierarquia : sou muito consciente de meu Posto e, por via de conseqüência, da subordinação que devo à Vossa Excelência, no entanto, como sou muito antigo(sou Praça de Março de 1951) e estando absolutamente indignado com o ocorrido com o Coronel Reformado CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, insisto em dizer alto e em bom tom :

-  nós, os Velhos Soldados, não merecemos essa indiferença dos Chefes Militares;

-  temos a nítida consciência de que não somos simpáticos e/ou admirados pela esmagadora maioria dos atuais Dirigentes pois são – também em sua quase totalidade – oriundos das hostes que queiram impor ao País o comunismo – ou há qualquer dúvida a respeito ?...ou alguém pode pensar em coisa diferente ?.. ou existe algum ingênuo a dizer que “eles queriam a democracia e o bem do BRASIL ?”


Por derradeiro, Excelentíssimo Senhor General de Exército FRANCISCO ROBERTO DE ALBUQUERQUE – digno Comandante do EXÉRCITO BRASILEIRO – não tome como acinte e/ou desrespeito minhas “mal traçadas linhas” ; são, sim, um desabafo de Velho Soldado – que sou – por assistir a coisas que a razão não aceita .

Jamais, sequer imaginei, que assistiria as FORÇAS ARMADAS – e, por ser Soldado do EXÉRCITO - o EXÉRCITO BRASILEIRO sofrer calado, em quase lassidão, as mais cruéis calúnias, ofensas, acusações e, por incrível que possa parecer, prestar homenagens, referências e honrarias até para os seus mais ferrenhos contrários .

Assisti – não me contaram: EU VI – ser Condecorado/ Medalhado/Homenageado quem, até de armas nas mãos, nos combateu .

Existe, sim, a Lei da Anistia e deve, por óbvio, ser respeitada e acatada, entretanto, a anistia não obriga e nem pressupõe convivência fraterna e nem confraternização .

Por não dominar o idioma e nem ser um experto no trato da Língua, fui ao AURÉLIO – novamente ele – e confirmei que Condecorar, Medalhar, Homenagear são, em resumo : distinguir, exaltar, tornar impar entre pares .

Excelentíssimo Senhor General – convenhamos – “distinguir, exaltar, tornar impar entre pares e coisaetal” para os que ultimamente foram Agraciados pelo EB, é (quase) inimaginável; mais, ainda, quando, ao mesmo tempo, é esquecida a solidariedade a um Militar como o Coronel Reformado CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA.

São – não há dúvidas – dois pesos e duas medidas.


Respeitosamente,


RUI GARAVELO MACHADO   

Amigos para sempre e um pouco mais