O jornal  '"O Estado de São Paulo" publicou no dia 13/02/2005 um artigo do jornalista Carlos Marchi, sob o título Bete Mendes só espera o convite para voltar ao PT.

Num dos parágrafos de seu artigo, Carlos Marchi afirma, a respeito de Bete Mendes: "presa duas vezes pelo DOI-Codi, barbaramente torturada e, afinal, absolvida na auditoria militar".

Mais uma vez, vemos um jornal tão importante como o "Estadão" dando guarida a uma mentira como esta e a um articulista que não se preocupa em apurar a verdade.

Bete Mendes teria sido, realmente, torturada no DOI-Codi?

Em 1987, foi preciso que eu escrevesse um livro, "Rompendo o Silêncio ”, para provar  que Bete Mendes nunca foi torturada no DOI/CODI/II Exército. Nesse livro, mostrei que fui vítima de uma farsa, montada com o apoio da então Deputada Federal Bete Mendes.

Meu livro chegou à 3ª edição, sendo que a primeira se esgotou em 48 horas. Portanto, foi bastante divulgado. Os jornais da época comentaram a publicação e muitos deles pediam a minha punição porque eu, na época, era  um coronel da ativa e que, segundo eles, não tinha o direito de publicar um livro, mesmo que fosse para me defender. Uma repórter de Brasília chegou a pedir ao Ministro do Exército a minha expulsão da Força Terrestre, por ter cometido, segundo ela, uma falta gravíssima.

Novamente, volto a tocar nesse assunto, agora para rebater, com veemência, as palavras do repórter Carlos Marchi. Para isso vou me basear, muito sucintamente, em algumas passagens que publiquei no meu livro. Nelas escrevi:

 

Sou um cidadão comum. Não possuo, como a Deputada, imunidade parlamentar. Dentro deste contexto afirmo, perante a opinião pública, que a senhora Bete Mendes:

 

1- Mentiu quando disse que foi torturada por mim.

 

2- Mentiu quando afirmou: ‘ter que suportá-lo, seguidamente a justificar a violência cometida contra pessoas indefesas e de forma desumana e ilegal como sendo para cumprir ordens e levado pelas circunstâncias de um momento’.

 

3- Mentiu quando na sua entrevista ao Jornal "O Globo", em 17 de agosto de 1985,  quando disse que:

a- testemunhara o desaparecimento de pessoas que passaram pelas mãos do Coronel Brilhante Ustra;

b- parentes seus também foram presos e torturados;

c- esteve presa no DOI durante 30 dias;

d- durante a prisão sofreu torturas físicas e psicológicas de todos os tipos;

e- minha mulher lhe dissera, em Montevidéu, que ‘o acontecido no passado não tinha a menor importância’.

 

4- Mentiu quando, na sua entrevista ao jornal "O Pasquim" 17 de Fev 86 a 5 Mar 86, disse:

a- "A minha organização não participava de nenhuma ação armada; eu era da VAR-PALMARES. Uma dissidência da VPR e a gente não assaltava banco e nem nada disso". ( o grifo é do autor).

 

No livro "Rompendo o Silêncio " relato o nome, as datas e os locais de  26 assaltos a  estabelecimentos bancários, carros pagadores e supermercados praticados pela organização terrorista VAR-Palmares, organização a que ela pertencia, onde era conhecida por "ROSA" .

Convém ressaltar o roubo do "cofre do Adhemar", em 18 de julho de 69, na residência de Ana Capriglione, em Santa Teresa-RJ, quando foram roubados aproximadamente dois milhões de dólares. 

Além disso, os terroristas Lígia Maria Salgado da Nóbrega, Hélio Silva, e Carlos Alberto Salles, todos companheiros da mesma Organização de Bete Mendes, assassinaram o marinheiro David A. Cuthbert, da flotilha inglesa que visitava o Rio de Janeiro, na rua Visconde de Inhaúma, no dia 5 de fevereiro de 1972, às 21:30 hs, sob a justificativa de que ele era um representante do imperialismo.

Também é bom lembrar que foi a organização de Bete Mendes que seqüestrou e desviou para Cuba o Caravelle da Cruzeiro do Sul, em 01/01/70;

Em São Paulo, numa ação armada na Empresa TUSA, a VAR-Palmares assassinou o Soldado PM Manoel Silva Neto.

 

b- "Quando cheguei na OBAN os policiais davam tiros para o alto para comemorar a minha captura".

 

 

5- Mentiu quando, em entrevista a Revista "VEJA", 21 de agosto de 1985 disse que:

a- seus pais também foram detidos e ameaçados de tortura e que o "corpo de um amigo, morto a pancadas, foi-lhe mostrado estendido numa maca, para desequilibrá-la emocionalmente".

 

Seus pais nunca foram detidos e tampouco ameaçados de tortura.

Em meu livro livro, provo que no período em que Bete Mendes esteve presa (29/09/70 a 16/10/70) não houve nenhum morto ou desaparecido em São Paulo. Segundo fontes da própria esquerda, em sites na internet, o único desaparecimento foi o de Antônio dos Três Rios Oliveira, em São Paulo, em 10 de maio de 70. No livro desafio que Bete Mendes diga o nome do seu amigo cujo corpo ela viu. Há 18 anos aguardo uma resposta dela. Aliás, não sou só eu que espero. Creio que as ONG de esquerda também continuam ansiosas por esse nome, pois assim aumentariam  em mais um os 284 que, segundo elas, foram mortos ou desaparecidos, em todo o Brasil, pela "repressão da ditadura". Além disso, a  família desse seu amigo, já poderia estar recebendo uma enorme indenização paga pelo contribuinte e repassada pelo governo.

 

b- durante a sua chegada com a comitiva do Presidente, eu estava à sua frente, junto a uma centena de rostos enfileirados à margem de um tapete vermelho, que se estendia pelo chão do Aeroporto de Carrasco. E que nessa ocasião ela me cumprimentou formalmente e passou adiante na longa fila de comprimentos

 

Quando a comitiva do Presidente Sarney chegou ao Aeroporto de Carrasco, só o Presidente e Dª Marli foram cumprimentados pelas autoridades uruguaias,  pelos diplomatas da Embaixada do Brasil e pelos  três Adidos Militares( eu era um deles). O restante da comitiva, ao desembarcar do avião, embarcou, diretamente, em um ônibus que o conduziu ao hotel. Bete Mendes estava incluída entre esses passageiros e jamais poderia ter me cumprimentado como mentirosamente afirmou a revista Veja.

 

6- Mentiu quando na sua carta ao Ministro do Exército, lida por ela na Câmara dos Deputados, disse ter visto"corpos de pessoas inocentes e que estão na lista dos desaparecidos".

 

Como no item anterior, contesto, enfaticamente, pois como foi dito acima, no período em que ela lá esteve nunca houve nenhum morto ou desaparecido.

 

 

 

Finalmente, desejo esclarecer que, durante os julgamentos dos terroristas, estes sempre afirmavam ao juiz que haviam confessado seus crimes sob tortura. Bete Mendes, ao contrário da maioria de seus companheiros de subversão, no dia 30 de março de 1971, foi qualificada e interrogada na presença das autoridades que compunham o Conselho Permanente de Justiça, inclusive um juiz togado, na Auditoria Militar. Assistida por seus dois advogados, Dr Paulo Rui de Godoy e Dr Américo Lopes Manso, ela declarou que "não foi coagida" e que "concordou em assinar o depoimento na Polícia porque estava presa."

Bete Mendes foi mais além. Na presença de todas aquelas autoridades e dos seus dois advogados de defesa, chorou copiosamente dizendo estar arrependida. A seguir, transcrevo, na íntegra a parte final do seu depoimento prestado nesse dia:

"que, repetindo, os fatos se passaram como os narrou nesta oportunidade, depoimento que prestou livre e sem nenhuma coação, que de fato, sentiu-se emocionada e chorou, como todos presenciaram, copiosamente; que chorou e ainda chora, nesta oportunidade, porque está arrependida do que fez, isto porque acha que entrou em uma cousa perigosa, sem nenhum conhecimento das cousas e completamente contrária ao seu modo de ser (sic); que não acredita em nenhuma organização subversiva e acha inviável seus propósitos, porque chegou à conclusão de que eles querem apenas destruir; que é católica e não vive com seus pais, que são judicialmente separados." E, como nada mais disse, nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente que, depois de lido vai assinado por conforme. Eu (ilegível) escrevente datilografei. Eu (ilegível), escrivão assino. Seguem-se as assinaturas dos membros do Conselho Permanente de Justiça, de Elizabeth Mendes de Oliveira, do Dr. Juiz Auditor e de mais duas assinaturas ilegíveis.

 

 

                                                         Esse processo encontra-se arquivado no Superior Tribunal Militar

 

Citação que também saiu no site www.midiasemmascara.com.br .

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