Coronel Brilhante Ustra - Depoimento na Comissão da Verdade - YouTube
Caros amigos e amigas,
Hoje, 15 de outubro, faz 5 anos que o Heróico Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra nos deixou.
Vale a pena ler de novo o texto em anexo, em homenagem ao irmão de armas, Epílogo do Livro "A Verdade Sufocada", 
que tive a honra de escrever, por convite da valorosa viúva - D. Joseita.
Repassem à vontade.
Atenciosamente,
Gen Rocha Paiva

Em 2013, assisti ao depoimento do Coronel Ustra em audiência pública da nefasta, e indevidamente chamada, Comissão Nacional da Verdade. Ustra enfrentou, com indescritível e admirável coragem moral, inteligência, lucidez e segurança, o cenário montado com o propósito de intimidar e enfraquecer o mais relevante símbolo da vitória do Exército contra a luta armada. Seria uma forma de abrir espaços na mídia para a opaca e desacreditada comissão, de maneira a respaldar o prosseguimento de trabalhos vistos como facciosos pela maioria da sociedade. Ledo engano daqueles que não sabem do que é capaz um soldado com têmpera de aço e consciência tranquila de ter cumprido dignamente a missão que o Exército e a Nação lhe confiaram.


"Teu grito de guerra retumbe aos ouvidos d’imigos transidos por vil comoção; e tremam d’ouví-lo pior que o sibilo das setas ligeiras, pior que o trovão "
(Canto VI da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias).

Ao entrar no auditório, a presença do Coronel Ustra transmitiu uma silenciosa mensagem de força interior, que se impôs ao público presente. Iniciada a inquirição, as respostas precisas e a voz do comandante se impuseram à audiência e desarmaram os inquisidores que, surpreendidos, foram ficando inseguros e sem argumentos convincentes para embasar os questionamentos que faziam.


Ah, como foi bom ver os membros da comissão, fisionomias espantadas e mentes desorientadas, na realidade, totalmente perdidos, caírem do pedestal onde pretendiam brilhar sob os holofotes da mídia, tripudiando sobre uma ilusória fragilidade do emblemático alvo da esquerda radical. Arrogância, vaidade, revanchismo, injustiça e ambição midiática - uma ausência total de grandeza de propósitos - desmoronaram diante da autoridade moral de quem sempre teve a Nação, o Exército e a família como razões de viver. A audiência foi encerrada, apressadamente, após o tumulto provocado por antigo preso da OBAN, nos anos 1970, frustrado pela intervenção de militares que assistiam ao evento e cuja reação obrigou a comissão a fazer cumprir as recomendações estabelecidas por ela mesma ao início do evento. Por causa desse fracasso, a comissão da omissão da verdade nunca mais fez uma audiência pública durante seus trabalhos, cuja finalidade, de fato, nunca foi revelar a verdade histórica sobre violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 e promover a reconciliação nacional, propósitos surrealistas após centenas de obras escritas sobre o regime militar e mais de trinta anos da redemocratização. Seus objetivos, claros desde o início, eram provocar a revisão da Lei de Anistia, para punir apenas os agentes do Estado que combateram a luta armada, condenar os governos militares e os chefes do passado e imobilizar as Forças Armadas, contribuindo com o projeto da liderança política no poder de implantar o socialismo no Brasil.


As Histórias do Brasil e do Exército, inclusive nos anos 1960 e 1970, não hão de ser conhecidas apenas pela versão dessa esquerda socialista radical, derrotada e anistiada pelos governos militares, e descompromissada com os feitos históricos e os heróis nacionais. A verdade não será sufocada pelos apóstolos de Lênin e Mao, seguidores de Fidel, Lula e Chaves e serventes da atual liderança política, pouco afeita à verdade, mentora dos escândalos do mensalão e do petrolão.


O Exército não cometerá tal injustiça com seu passado longínquo e com sua contribuição decisiva para a implantação, condução e consolidação da democracia no Brasil. Não permitirá que neguem sua indissolúvel união e lealdade à Nação, nem que seja vilipendiada a memória de antigos e honrados chefes e camaradas, entre eles o Coronel Ustra, que lideraram e defenderam a Nação da agressão comunista. Seria o suicídio da autoestima e do autorrespeito, além de uma desonrosa rendição à esquerda radical, em seu propósito de quebrar a coesão do Exército e promover o rompimento das futuras gerações de soldados com o honroso legado da Instituição. A História do Exército, cuja reputação e credibilidade são irrefutáveis, há de ser contada, também, pelos herdeiros de Caxias, Mascarenhas, Castello e Médici. O Coronel Ustra, um herdeiro dessa nobre linhagem, deixou relevante contribuição para as Histórias do Brasil e do Exército com seu livro A Verdade Sufocada, um cativante e bem documentado relato do combate à luta armada. A saga vivida por Ustra, como líder e testemunha ocular, nos faz lembrar o trecho final do célebre poema I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias:

"Assim o Timbira, coberto de glória, guardava a memória do moço guerreiro, do velho Tupi. E à noite nas tabas, se alguém duvidava do que ele contava, tornava prudente: Meninos, eu vi!”.

Notas
[1] Tibiriçá (1440? – 1562) - “O Vigilante da Terra” na língua Tupi: era um cacique tupiniquim e foi o primeiro indígena a ser catequizado pelo Padre Anchieta. Liderou com bravura a sua tribo na defesa da povoação de São Paulo, em seu nascedouro, quando atacada por uma confederação de tribos indígenas.
[2] “A Viúva do Che”: artigo deste autor, publicado em vários sites da internet em 2009, inclusive no site “A verdade Sufocada”.

 

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