CRÔNICA  1 - Ternuma Regional Brasília -  Gen Ex ALM de Paiva Chaves
  A conceituação mais comum de guerra é a luta armada entre nações ou entre partidos de um mesmo povo, a fim de impor interesses materiais ou ideológicos. A de paz é a relação tranqüila entre pessoas, povos, nações. É a ausência de violência.

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 Nos dias que vivemos, há que relativizar a ausência de violência. Por mais pacífico que seja um país, por mais ordeira que seja uma cidade, por mais tranqüilo que seja um bairro, ocorrerá a violência, ainda que em menor freqüência.

 Em nossas famílias, em nossos círculos de relacionamento, estamos sempre a desejar-nos, uns aos outros, a paz. É um hábito ancestral, que remonta, a nós de formação cristã, aos ensinamentos de Jesus: ”A paz esteja convosco”. É também a expressão de nossa aspiração mais presente, de nossa angústia mais constante.

 Queremos a paz porque estamos encerrados em um cárcere que é nossa casa, cercada de grades eletrificadas, trancada por fechaduras de segurança, vigiada por cães, alarmes eletrônicos e câmaras de vídeo, observada por guardas noturnos, contratados para substituir a polícia que não faz rondas.

 Queremos a paz porque não temos segurança nas ruas, onde o carro pode ser assaltado impunemente, à luz do dia, por meliantes armados que ainda não chegaram à maioridade, ou por crianças portando ácido corrosivo, que não titubeiam em nos atingir se frustramos seu pedido de dinheiro.

 Queremos a paz porque não temos segurança nos bancos, onde nossos cartões podem ser clonados e nossas economias, amealhadas com sacrifícios, se transferirem miraculosamente para empresas com quem nunca fizemos negócios.

 Queremos a paz para não sermos seqüestrados e jogados no porta-malas, como bagagem, até chegarmos a um banco, obrigados, sob ameaça de arma, a sacar tudo o que lá temos depositado, rogando a Deus para, ao fim, não sermos assassinados.

 E nos dizem os governantes que vivemos em paz!

 Por graça de Deus, não temos, por ora, ameaça externa. E se a tivermos, como poderemos enfrentá-la? Nossas Forças Armadas deveriam ter seu nome mudado, na Constituição, para Forças Desarmadas. É certo que seus integrantes honram tradições plantadas, com sangue, nos Montes Guararapes. Seu conceito, no âmbito abrangente da população, é o mais alto dentre todas as instituições nacionais. Mas só conceito não ganha guerras. Guerras são vencidas por homens com armas, suficientemente modernas para fazer frente às tecnologias bélicas adversárias. E nós estamos miseravelmente desarmados, para desestimular qualquer ameaça que tome corpo, para respaldar militarmente as decisões de nossa política externa.

 Não, nós não vivemos em paz. Vivemos uma guerra interna, entre governantes ineptos e corruptos contra uma população predominantemente ordeira e decente, esbulhada pela ganância, pelo compadrio, pelo acobertamento dos faltosos, pela irresponsabilidade no exercício de cargos públicos.

 A quem acusar?

 A mídia, sempre atenta aos desvios, os denuncia. Insiste na denúncia até um ponto em que cai no esquecimento. Será porque desistiu de ver efetivadas as providências reclamadas? Será porque foi pressionada por detentores do poder e ameaçada em seus objetivos empresariais? Será porque foi “comprada”? Seja como for, não pode ser acusada, genericamente, de omissão. Sempre que ocorrem e são descobertos ilícitos ou comportamentos antiéticos, no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, na esfera federal, estadual ou municipal, um ou mais segmentos da mídia os trazem a público. Acusam e clamam por providências.

 Excluída a mídia - que denuncia - e os poderes - que são denunciados - fica faltando acusar o grande omisso: o cidadão. Aquele que sofre calado, quando deveria manifestar sua inconformidade. Aquele que é responsável, com seu voto, por quem o representa no Legislativo. Aquele que é um, mas na pluralidade, é o povo. Aquele para quem os Poderes foram criados: para servi-lo.

 Não cabe a excusa de falta de meios. Não são os meios de protestar que faltam. O que falta é indignação. Campanhas memoráveis do povo fizeram eco nas acústicas mais surdas do país e produziram transformações, em épocas distantes das modernas tecnologias, que tornam mais ágeis os recursos de comunicação e os disponibilizam ao alcance de muitos.

 O cidadão brasileiro não pode continuar acomodado por mais tempo. O momento exige tomada de posição.

 Há que opinar se é a favor ou contra o sistema de cotas no ensino superior, se sua adoção vai ou não promover a segregação racial.

 Há que opinar sobre a demarcação de extensos territórios indígenas ao longo de nossas fronteiras, se ameaça ou não a preservação de nossa soberania.

 Há que opinar sobre as vantagens pecuniárias que, direta e indiretamente, beneficiam nossos congressistas, pois elas são pagas com nosso dinheiro, recolhido em impostos.

 Há que opinar sobre o projeto de reforma política, que propõe o custeio de campanhas eleitorais com o nosso dinheiro e nos tira o direito de escolher o nome do candidato em quem votar.

 Há que opinar sobre a pretendida legislação que promove os homossexuais a uma verdadeira casta dentro da sociedade e que leva às escolas o conceito de que os desvios de comportamento sexual são tão normais quanto o é a lei natural de reprodução e perpetuação da espécie.

 Há que opinar sobre a exploração do pré-sal e a forma de administrar a riqueza que vai gerar, pois ela não é de governo, mas do povo.

 
 Haveria muito mais temas a citar, que exigem a atenção e a opinião do cidadão. Esses foram reunidos sem qualquer esforço de seleção, pinçados de acontecimentos mais recentes. O propósito é despertar e motivar a consciência para o exercício de cidadania e o dever de contribuir na construção de um Brasil melhor para nossos filhos e netos.
 
Gen Ex ALM de Paiva Chaves

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