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 O FIM DO PRIMEIRO MR-8

No início de 1969, o MR-8 possuia um "Comando de Expropriações".que, após roubar 5 carros, realizou os seguintes assaltos: ao depósito do Projeto Rondon, na Universidade do Estado da Guanabara, de onde levaram grande quantidade de material para ser usado no campo; ao Banco  Lar Brasileiro, agência Ipanema, em 6 de janeiro; e ao Banco Aliança SA, agência Abolição, também na Guanabara, em 16 de março.

Texto completo

O "Comando de Expropriações" era integrado por Reinaldo Silveira Pimenta, João Manoel Fernandes, Ivens Marchetti de Monte Lima, Tiago Andrade de Almeida, Sebastião Medeiros Filho, Umberto Trigueiros Lima, Antônio Rogério Garcia da Silveira, Ronaldo Fernando Martins Pinheiro , Luiz Carlos de Souza Santos, Marco Antônio Farias de Medeiros, Gerardo Galisa Rodrigues, Joseph Berthold Calvert e Zenaide Machado.

Jorge Medeiros Valle - o "Bom Burguês" - era funcionário do  Banco do Brasil  desde 1952 e nutria muita simpatia  pelo Partido Comunista Brasileiro - PCB.  A partir de julho de 1968, valendo-se de seu cargo na Agência do Banco do Brasil , no Leblon/RJ, mediante emissão de ordens de pagamentos fictícias, desviou bilhões de cruzeiros velhos e trocou-os por cerca de 1 milhão de dólares, que transferiu para uma conta na Suiça.

Acreditando que a luta armada derrubaria o regime militar,  passou  a distribuir parte  do dinheiro para organizações  que tinham optado pela luta armada.  As privilegiadas foram o Partido Comunista  Brasileiro Revolucionário  - PCBR  - e o Movimento Revolucionário - 8 de Outubro - MR-8 - que, por um  período, não tiveram dificuldades financeiras.

Em abril de 1969, apesar de já ter vários planos de assaltos a bancos, o MR-8 não mais precisava realizar esses roubos. Os cerca de 400 mil cruzeiros novos recebidos de Jorge Medeiros Valle, o "Bom Burguês", proporcionaram-lhe uma cômoda situação financeira. Com esse dinheiro, o MR-8  pretendia deslocar-se do Paraná e adquirir uma fazenda para treinamento de guerrilha em Santa Catarina, nas proximidades da Serra do Pires, entre as cidades de Mafra, Lages, Curitibanos e Rio do Sul.

Entretanto, uma série de prisões de militantes desbaratou o primeiro  MR-8. Em 15 de fevereiro, já havia sido preso Umberto Trigueiros Lima. Em 04/04, foi a vez de Aluisio Ferreira Palmar, em Cascavel, no Paraná, após um acidente de trânsito. Ainda no Paraná , em 28 de abril, na cidade de Laranjeiras do Sul, foram presos Antônio Rogério Garcia Silveira, Ivens Marchetti de Monte Lima, Sebastião Medeiros Filho e Marcos Antônio Farias de Medeiros.

 A partir do início de maio diversos aparelhos do MR-8 foram vasculhados na Guanabara e em Niterói, sendo presos os seguintes militantes: Luiz Carlos de Souza Santos, Gerardo Galisa Rodrigues, Tiago Andrade de Almeida, Antônio Calegar, Hélio Gomes de Medeiros, Ziléia Reznik, Martha Mota Lima Alvarez, Nilton Gaia Leite, Paulo Roberto das Neves Benchimol, Rui Cardoso de Abreu Xavier, Ubirajara dos Reis Loureiro e Paulo Amarante Barcellos.

 Ao mesmo tempo, outros aparelhos foram descobertos em Curitiba onde houve a prisão dos militantes : Cesar Cabral , Iná de Souza Medeiros, João Manoel Fernandes, Nilse Fernandes, Maria Cândida de Souza Gouveia e Maria da Glória Oliveira Leite.

Após essas quedas, os remanescentes entraram em pânico e refugiaram-se em outras organizações. Mauro Fernando de Souza, o mesmo que deu o desfalque no Banco Mercantil de Niterói, ingressou no COLINA, sendo preso em 13 de agosto de 1969, em Petrópolis; Zenaide Machado ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária - VPR; Joseph Berthold Calvert  entrou para a Ação Libertadora Nacional - ALN -, sendo preso em 26 de outubro de 1969, na fronteira com o Uruguai; Ronaldo Fernando Martins Pinheiro nunca foi preso, apesar de ter sido condenado a seis anos de reclusão. Menos sorte teve Reinaldo Silveira Pimenta, que, ao ser preso, em 27 de junho, se atirou do apartamanto 510 da rua Bolivar, 124, em Copacabana/RJ, um dos aparelhos do MR-8 .

 Na realidade, o primeiro  MR-8 ex-DI/NIt, ex- MORELN, nunca passou de um pequeno grupo de pouco mais de 30 militantes com uma linha política pouco desenvolvida e sem uma liderança definida, viveu às custas do dinheiro arrecadado num desfalque e de assaltos a banco.

 

 A DI/GB inicia as açôes armadas e assume a sigla MR-8

Decidindo iniciar as ações armadas, a Dissidência da Guanabara (DI/GB) enviou, em janeiro de 1969, João Lopes Salgado para o interior da Bahia, a fim de comprar armas. Ao mesmo tempo, iniciou treinamentos de tiro numa fazenda próxima a Jequiá, através de Cláudio Torres da Silva. Quatro meses depois, esses treinamentos intensificar-se-iam na praia do Peró, em Cabo Frio, e numa praia próxima a Búzios.

Após roubar diversos carros, a DI/GB realizou três assaltos no Rio de Janeiro, que tiveram repercussão: em 15 de fevereiro, ao Hospital Central da Aeronáutica, onde Daniel Aarão Reis Filho, João Lopes Salgado, Cid de Queiroz Benjamin e Cláudio  Torres da Silva roubaram a metralhadora Ina  da sentinela; em 23 de fevereiro, ao Bar Castelinho, na Avenida Vieira Souto, onde esses quatro militantes e mais Stuart Edgard Angel Jones levaram cerca de 10 mil cruzeiros novos; e, em 24 de março, ao Banco de Crédito Territorial, no bairro de Bonsucesso/RJ, onde esses mesmos  cinco militantes roubaram cerca de 38 mil cruzeiros novos. Neste último assalto Stuart estava muito nervoso , chegando a disparar a sua arma , o que lhe valeu  a saída do grupo de ação.

Em abril de 1969, a DI/GB realizou a sua III Conferência

 Estiveram presentes:Daniel Aarão Reis Filho, Franklin de Souza Martins,José Roberto Spiegner, Stuart Edgard Angel Jones, João Lopes Salgado, Cid de Queiroz Benjamin e Vera Silvia Araújo Magalhães.

Nela, importantes decisões foram tomadas pela organização a fim de melhor estruturar-se para a luta armada. Profissionalizou diversos quadros, montou "aparelhos", elegeu uma Direção Geral (DG) - integrada por Daniel Aarão Reis Filho, Franklin de Souza Martins e José Roberto Spiegner - e criou três frentes de atuação: a Frente Operária (FO), a Frente de Camadas Médias (FCM) e a Frente de Trabalho Armado (FTA).

 A Frente Operária - FO -, assistida por Daniel Aarão Reis Filho e dirigida por Stuart Edgard Angel Jones, tinha o objetivo de realizar  o trabalho de agitação e propaganda no meio operário.

Integrada por diversos militantes, a FO realizaria, no 2º semestre de 1969, panfletagens nas seguintes empresas, todas no Rio de Janeiro: Remington, e Eternit, em Guadalupe; Cortume Carioca, na Penha; Metropolitana, no Jardim América; Estaleiros Caneco e Ishikawajima, no Caju; e Ciferal, em Ramos.

 Entre os militantes da Frente Operária estavam : Lúcia Maria Murat Vasconcelos, Mário de Souza Prata, Marcos Dantas Loureiro, Marcos Aarão Reis e Solange Lourenço Gomes.

A Frente de Camadas Médias - FCM -, assistida por José Roberto Spiegner e dirigida por Carlos Alberto Vieira Muniz, atuava na "pequena -burguesia" e,  particularmente, no meio universitário e secundarista.

Faziam parte da Frente de Camadas Médias,  entre outros, Carlos Augusto da Silva Zílio  e Carlos Bernardo Wainer.. A sua principal atividade foi  a organização dos estudantes nas manifestações de protesto ocorridas durante  a denominada  "Semana de Rockfeller", em junho.

A Frente de Trabalho Armado - FTA -, assistida por Franklin de Souza Martins e dirigida por João Lopes Salgado, era responsável pelas ações armadas - roubos e assaltos, a fim de conseguir fundos para  a DI/GB.

Além desses dois militantes a Frente de Trabalho Armado foi constituida por  Cid de Queiroz Benjamin, Cláudio Torres da SIlva e Vera  Sílvia Araújo Magalhães. Posteriormente ingressaram José Sebastião Rios de Moura e Sérgio Rubens de Araújo Torres.

A DI/GB  resolveu iniciar um trabalho de campo no interior da Bahia e criou o Setor de Imprensa , na FCM, chefiado por Fernando Gabeira e Helena  Bocayuva Khair, que publicava os jornais  " Luita Operária" , destinado  à Frente Operária, e "Resistência", para a Frente de Camadas Médias, destinado a captar a "pequena burguesia"  e os  universítários e secundaristas para  a luta armada.

 Após a conferência, os integrantes da FTA iniciaram uma série de roubos de carros e assaItos na Guanabara; em 09 de maio assalto à usina da Light, no Leblon, onde agrediram e roubaram a metralhadora INA do soldado da PM que estava de guarda;  em  4 de julho, assalto à Rural Willys do Banco Mercantil de Niterói, que transportava o dinheiro dos supermercados "Disco", na Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, da qual levaram cerca de 60 mil cruzeiros novos; em 4 Ago, assalto à Kombi do Banco Português do Brasil, na Rua Djalma Ulrich, em Copacabana, da qual levaram cerca de 55 mil cruzeiros novos; em 14 Ago, assalto à residência do Deputado Federal Edgard de Almeida, na Avenida Atlântica, em Copacabana, de onde roubaram quase 50 mil dólares, em dinheiro, e jóias, estimadas no valor de 600 mil cruzeiros novos; e,,ainda em agosto, assalto à Kombi dos Supermercados "Mar e 'Terra, na Rua Hadock Lobo, na Tijuca.
Fonte : Projeto Orvil
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