Decisão foi tomada após confronto com manifestantes que deixou dezenas de mortos - O Globo
BAGUA GRANDE, Peru. O Exército do Peru impôs toque de recolher nas províncias de Bagua e Utcubamba, na Amazônia peruana, cerca de 1.400 quilômetros ao norte da capital, Lima. Desde sexta-feira, a região é palco de violentos confrontos entre policiais e manifestantes indígenas. Os ataques podem ter deixado mais de 50 mortos. Até ontem, autoridades tinham confirmado a morte de 23 policiais, quatro colonos e nove índios. Porém os nativos dizem ter perdido 40 companheiros. Cento e cinquenta pessoas ficaram feridas e 72 foram presas. Apesar do toque de recolher, a tensão é grande e índios avisaram que vão resistir.

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A luta teve início quando índios revoltados com uma lei que permite a exploração de recursos naturais em suas terras ocuparam e fecharam há dez dias uma estrada, e ainda fizeram 38 policiais reféns. Na operação para resgatar os militares, nove policiais e 25 índios morreram.

Em Bagua Pequeno, a 30 quilômetros de Bagua Grande, o chefe de polícia José Luis Santill disse que a ordem havia sido restabelecida na região:

- A situação é normal, mas continuamos com as patrulhas. Estamos procurando dois policiais desaparecidos e as armas que os índios roubaram dos soldados.

Manifestantes em Yurimaguas anunciaram resistência total ao governo. E dirigentes indígenas em Bagua temem intervenção policial para acabar com os bloqueios que ainda persistem. Enquanto a polícia prestava homenagem aos militares mortos e seus corpos eram trasladados a Lima, dirigentes indígenas pediam garantias para buscar os corpos de 30 nativos que teriam morrido, em meio a mútuas acusações de extrema violência e selvageria.

Testemunhas que assistiram à remoção de dez cadáveres de policiais, perto de Bagua Grande, disseram que os agentes tinham as mãos atadas e alguns pareciam ter sido degolados. Os corpos apresentavam marcas de cortes profundos no pescoço, cabeças e em outras partes.

Analistas dizem que essa é a pior onda de violência no país desde o fim do grupo Sendero Luminoso, nos anos 90, e o maior desafio de Alan García. Desde o início de abril, indígenas vêm realizando protestos contra decretos do presidente, que está perto de completar o terceiro de seus cinco anos de mandato. Ele afirmou que estava diante de uma conspiração que poderia ter vínculos internacionais. Em nota, declarou que o Peru sofreu uma "agressão contra a democracia". E prometeu reagir com firmeza.

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