Por Osmar José de Barros Ribeiro
Temos um presidente que não para em palácio, envolvido em idas e vindas a lugares próximos ou distantes e que, ao discursar, raras vezes deixa de salientar que somos uma sociedade em que os ricos são inimigos dos pobres, os brancos não toleram os pretos, etc.

 

 

 

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É verdade que existem desigualdades no seio da sociedade brasileira, mas não é menos verdadeira a afirmação de que as mesmas se fazem mais notórias entre as Regiões Sul e Sudeste e as demais, embora não por culpa dos seus habitantes.

Isso posto, raia pela irresponsabilidade lançar no meio social o germe da luta de classes e o da intolerância étnica que poderão, em mais ou menos tempo, dar azo a lamentáveis resultados, entre eles o esfacelamento da unidade nacional. Como exemplos, o estatuto da igualdade racial e a formação de reservas indígenas.

O estatuto, que se pretende da igualdade racial, torna legal a discriminação no Brasil e, paralelamente, faz tábua rasa dos deveres que a Constituição em vigor determina a todos os brasileiros, muito especialmente àqueles com encargos de governo, em todos os níveis: erradicação da pobreza e da marginalidade, redução das desigualdades sociais e promoção do Bem Comum.

A busca de um enganoso igualitarismo em detrimento do mérito representa um enorme retrocesso, haja vista que o não ter acesso a uma escola de qualidade, sendo o que impede e/ou dificulta aos pobres (e não só aos negros e aos índios) alcançar a promoção social, é responsabilidade do Poder Público. E, sejamos honestos, trata-se de um dever do qual se escusam os políticos de hoje, como se escusaram os de ontem, por não render dividendos eleitorais. Afinal, os frutos de uma educação de qualidade somente serão revelados muitos anos depois, quando aqueles que a implantarem já estiverem (ou quase) fazendo parte dos livros da História do Brasil.

De um artigo do senador Cristovam Buarque, publicado na imprensa (O Globo, 06 Jun 2009) com o título de “Pré-sal ou pré-escola”, retirei alguns tópicos que bem caracterizam a imprevidência dos governos que se sucedem no que respeita à educação:

... O açúcar gerou riqueza, mas não emancipou o povo do Nordeste, nem deixou o país mais civilizado. O ouro serviu mais para embelezar Portugal e enriquecer a Inglaterra do que para desenvolver o Brasil. ...

... Com o pré-sal não será diferente. ... prisioneiro da economia baseada em recursos naturais, o Brasil não percebe que a saída está em se transformar em produtor de conhecimento: ciência, tecnologia, cultura. ... E para ter ciência e tecnologia é preciso investir na pré-escola de todas as crianças. ...  Vincular a revolução educacional à hipotética e futura exploração da reserva do pré-sal é um suicídio nacional. ...

E, taxativo, afirma:... “Adotar” todas as crianças em idade pré-escolar - com tudo o que for preciso para iniciar o desenvolvimento intelectual das futuras gerações – custará, no máximo, R$15,5 bilhões por ano, o equivalente a 1% do que será gasto com o PAC, o pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, caso o Rio de Janeiro seja a cidade escolhida. Mas para fazer o PAC, a Copa e as Olimpíadas, ninguém propõe esperar o pré-sal.

No que concerne às reservas indígenas, em lugar de buscar a integração dos índios à sociedade proporcionando-lhes educação, saúde e oportunidades de trabalho, o governo, cedendo de forma inexplicável a pressões vindas do exterior e alimentadas internamente por motivações ideológicas, pretende isola-los como se não fossem brasileiros, aos quais devemos proporcionar condições de crescimento econômico e desenvolvimento pessoal. E o exemplo da reserva Raposa-Serra do Sol, bem recente, é bem uma amostra do que pretendem fazer aquelas organizações financiadas por recursos vindos do exterior: transforma-las, num primeiro passo, em regiões autônomas para ao depois, com o apoio internacional, buscar a sua independência. Se a ação do Supremo Tribunal Federal obstou, ao menos temporariamente, tal desiderato, há que considerar o futuro e, salvo melhor juízo, esse apresenta-se bem sombrio.

Somos, forçoso reconhece-lo, um País jovem, ainda em crescimento. E por sê-lo, carecemos de ordem e de disciplina. Necessitamos, sem tardança, de líderes que sejam capazes de colocar, acima dos seus interesses pessoais, partidários ou ideológicos, o bem da Pátria.

Infelizmente, sob a capa de palavras sonoras e promessas ocas assistimos, particularmente no nível federal, ao acobertamento de ações criminosas e ao surgimento de escândalos que, a pouco e pouco, vão amortecendo a sensibilidade moral do brasileiro comum e a sua capacidade de indignar-se, de distinguir o certo do errado.

Basta de hipocrisia! Os fins não justificam os meios! Que cada um assuma, de peito aberto, suas responsabilidades para com o futuro do Brasil.

 

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