Eu, Webmaster, vou descrever o motivo do porque 18/06/2009, foi um dia que ficará marcado para sempre em minha alma... 
Indelévelmente marcado.
Vamos explicar um pouquinho o contexto e abrir a janela do tempo...
Meu pai, foi fundador da ordem dos músicos do Brasil, violinista que era. Labutou muito tempo em apresentações, sinfônicas, orquestras e similares...   trabalhou também no que se chamava "Teatro de Revista", uma espécie de televisão da época (Anos 40)...  com o tempo, acabou dando mais prioridade a área de imunologia, outra de suas especialidades (tinha um curriculum de 40 páginas).
Nos anos 80, indo para Cabo Frio, lhe fiz a seguinte pergunta:
 
 
- Pai pra você qual a obra mais bonita da música clássica.
- ihh filho, são muitas, mas eu gosto muito das que tem coral e orquestra. Ficaria com o Requiem (Música da morte) de Mozart.
 
- Pai, como violinista, pra você qual a obra mais dificil ? (Não lembro a resposta)
 
Depois perguntei:
- E qual a mais bonita
- Só existe uma filho, não existe nada mais bonito que o Concerto  Nº 1 para Violino e Orquesta de Max Bruch. 
- Héin ?
 
Ele parou o carro no estacionamento, abriu a mala e pegou um CASE de fitas. Sacou uma e voltou para o carro. Colocou a fita e pediu que eu escutasse... 
 
Durante a execução ele tecia vários comentários curtos sobre alguns pontos... e não é que aquela música triste e por vezes romãntica era bonita mesmo.
 
Todos lá em casa acabamos por escutá-la muitas vezes. Certa vez foi ao vivo. Explico:
 
Um dia de sábado - com o sol entrando pela janela -, acordei com o som do violino ao longe...   meu pai estava sentado na cama tocando alguns fragmentos dessa música. Minhas duas irmãs que moravam com a gente (8 e 14 anos na época, existia mais uma já casada) estavam sentadas no chão ao pé da cama e minha mãe ainda debaixo do edredom escutava inerte. Fiquei de pé na porta, depois chegaram ou outros irmãos(2), acompanhamos por um bom tempo.... 
 
que momento mágico deve ter sido para meu pai... 
 
ao final minhas irmãs bateram palmas, minha mãe o chamou carinhosamente de "cabeção" agarrando-o e reparei que ele tinha lágrimas nos olhos... e um belo sorriso no rosto...era a felicidade de um homem que envolto pela mulher que amava e pelos filhos que amava, viveu aquele momento único.  Curiosamente nunca mais o vi tocar...
 
A época de 1984 em vias de se aposentar, minha mãe se mudou para Cabo Frio, para a casa que ele construia para esse fim. A aposentaria atrasou e tivemos (os homens) a ter que semanalmente fazer o trajeto Rio-Cabo Frio. Foram centenas de vezes que escutamos Max Bruch.
 
Certa vez cheguei a instalar um rádio no carro dele e quando ele ligou, já estava com a fita e lá se foi o Max Bruch novamente pelo ar....  ele escutou até o fim... (Nós)
 
Na virada do século eu já vendo o avanço na idade daquele que eu tanto admirava, pensei em dar-lhe um presente...
 
Entrei em contato com o teatro Municiapal do Rio e pedi para que uma das duas obras entrassem em apresentações futuras. Tentei a sinfônica Petrobras, tentei com tudo quanto foi lugar... o impressionante é que o Requiem já havia sido apresetentado muitas vezes mas Max Bruch nunca.
 
Ao final de 2007, dezembro, achei milagrosamente em uma loja de DVD´s o Requiem de Mozart gravado dentro da uma igreja na Bósnia, igreja essa que havia sido destruída pela guerra e estava sem o teto e com as paredes negras pelo fogo....  embora tenha-a escutado a vida toda, ele nunca viu a execução da obra. Comprei e resolvi dar de Natal... que seria três semanas depois...
 
As sinfônicas nunca responderam e........
 
dia 12/12/2007 recebi a notícia do falecimento do meu velho...  duas semanas antes do Natal... uma semana após a compra.
 
O DVD ainda pousa incólume na estante, embrulhado. O futuro me ajudará a dar-lhe um destino.
 
Pois bem.......
 
 
 Joshua Bell
Quinta-feira (18/06), o concerto Nº 1 de Max Bruch foi apresentado na sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro. Solista Joshua Bell, o virtuoso, e seu violino Stradivarius de 4 milhões de dolares de 1713.
 
Enquanto tocava, tive vários flashbacks de momentos em que ele comentava a música... em 40 minutos de apresentação passei uns 20 anos da vida com meu pai... desde miúdo até mais velho, mas sempre escutando aquela melodia... conheço cada nota, cada variação... a gravata me apertava...  tirei-a e reparei que tinha gotas de lágrimas, mas eu não estava tristre... talvez eu tenha atingido o grau de felicidade que ele teve aquele dia no quarto... 
 
Em silêncio...
 
agradeci a Deus pelos pais que tive...
agradeci por ele ter me apresentado aquela linda música...
agradeci a todos que ali tocavam...
agradeci pela companhia... afinal, certamente eu ontem não estava sozinho, ele assitiu comigo...

 
Um amigo que me acompanhava, ao sair, me agradeceu a recomendação, pois como violinista que é, não tinha idéia que um simples ser humano pudesse compor algo tão bonito...
 
Creio que não tenha sido ele... o autor a época disse que era uma obra sobre a paixão e o amor... 

mas esse não é o sentimento que mais nos aproxima de Deus ?
 

Clique e conheça o violinista e um fragmento da obra  (Parte 1)
 
 
Clique e conheça o violinista e um fragmento da obra  (Parte 2)
 
O grand finalle com a violinista Sarah Chang (Parte 3)
 

Alguém filmou o ensaio com a sinfônica brasileira
Adicionar comentário