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Categoria: Diversos
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 Folha de S. Paulo -Clóvis Rossi
SÃO PAULO - Alguma surpresa com a defesa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez do senador José Sarney? Quem pediu desculpas pelos erros cometidos pelo seu partido (na verdade, crimes), mas depois passou a mão na cabeça dos errados, quem se aliou a Fernando Collor de Mello, único presidente punido por falta de decoro, não poderia deixar de solidarizar-se com Sarney.

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O que surpreende é a escandalosa indigência dos argumentos usados por Lula. Primeiro argumento: Ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum. Que besteira é essa, Deus do céu?

É a versão Lula do sabe com quem está falando?. Com história ou sem história, todo cidadão tem de ser tratado da mesma maneira. E os que têm história devem comportar-se ainda melhor do que os que não têm. Afinal, para usar um lugar-comum tão ao gosto de Lula, o exemplo vem de cima.

Segundo argumento: um suposto interesse em enfraquecer o Poder Legislativo. Outra bobagem sem tamanho. O que enfraquece o Poder Legislativo não são as denúncias, mas os fatos que dão origem às denúncias. Sem eles não haveria denúncias.

O Poder Legislativo, como os demais, só se fortalece se corrige os desmandos e abusos denunciados. Omissão é que o enfraquece.


Lula, no fundo, revisita a teoria debiloide e safada da conspiração que não houve contra ele.


Houve apenas uma conspiração dos fatos. Tanto que ele foi obrigado a pedir desculpas. Tanto que o procurador-geral da República denunciou toda a cúpula do PT como quadrilha.


É, enfim, a velha tentação de toda pessoa investida de poder de culpar o espelho pela imagem que ele mostra. A favor de Lula diga-se que ele ao menos pediu desculpas, coisa que Sarney nem remotamente passou perto de fazer.