Por Reinaldo Azevedo
Como se verá abaixo, Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, abriu para o Estadão o que tem sido chamado “seus arquivos” sobre a guerrilha do Araguaia. Vejam lá. Vem mais um pouco de “martiriologia” por aí. Militantes foram assassinados depois de já rendidos? É moralmente errado. Isso quer dizer que não está certo fazê-lo em qualquer tempo, pouco importam as circunstâncias. Por isso indenizações foram pagas - às famílias dos que morreram no Araguaia e a milhares de outras pessoas que não arriscaram um fio de cabelo. No Brasil, o passado, depois de passar, volta para assombrar os vivos e justificar os erros dos vivaldinos. Vamos ver.

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Considero evidentemente descabida a expressão “movimento de resistência”, como lerão abaixo, pra designar os guerrilheiros do Araguaia. É um conceito forjado a partir de uma falsidade histórica, segundo a qual só se optou pela luta armada no Brasil quando o AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, sufocou toda forma de oposição ao regime.

A própria guerrilha do Araguaia desmente a tese. Os primeiros militantes começaram a chegar à região em 1966, quase dois anos antes do AI-5, e a opção pela luta armada tinha sido feita bem antes. No caso do PC do B, em 1962, quando um grupo rompe com o “reformismo” do PCB e resolve, então, “refundar” o Partido Comunista do Brasil, que comandou a patética tentativa de guerrilha.

Os militantes foram para o Araguaia para matar ou morrer. Tivessem eles capturado os adversários, teriam feito com os seus prisioneiros o que seus algozes fizeram com os deles. Como aconteceu o contrário, tornaram-se vítimas.

O lugar de vítima na história é sempre um sítio privilegiado e, por isso, bastante disputado. Entre outras razões porque confere aos herdeiros morais e intelectuais daquelas personagens licenças especiais. Como se sabe, assim se construiu a mentira clamorosa de que a esquerda armada que lutou contra a ditadura queria democracia e trazia humanismo no peito e iluminismo nas idéias. Segundo, por exemplo, a ministra Dilma Rousseff, ela própria ex-membro da virulenta e assassina VAR-Palmares, eram todos “idealistas”. Uma pinóia!

Mentira! Queriam uma ditadura comunista no Brasil, inspirada, a depender do grupo, nos mais variados modelos de tirania: URSS, China, Cuba, Albânia… O PC do B mesmo, que foi organizar a guerrilha do Araguaia, estava sob inspiração chinesa. Seus dirigentes tinham ido a Pequim para apresentar suas credenciais revolucionárias à canalha que servia à carnificina de Mao Tese-Tung. Entenderam? Os “heróis” do Araguaia, o “movimento de resistência”, eram subordinados intelectuais de um líder e de um regime que mataram 70 milhões de pessoas.

 Texto Completo em Veja.com/Reinaldo Azevedo

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