Por: Aristoteles Drummond 

Jarbas Passarinho  é, sem dúvida, um dos três mais ilustres brasileiros vivos na casa dos 80. E, principalmente, de permanente presença  na nossa vida pública, colaborando com jornais, dando entrevistas, depoimentos e palestras por todo o país. Embora tenha deixado o Exército no posto de coronel, e os militares cultivarem  muito a hierarquia na carreira, é dos mais admirados e respeitados pela categoria, mesmo entre os da ativa, que o conhecem apenas como referência.

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Homem com biografia admirável. Como major serviu a Petrobras na região norte, participou de 64, foi governador do Pará, depois sucessivas vezes senador, ministro de Estado em diferentes governos militares e ministro da Justiça de Fernando Collor. E tem sido cristalino e digno na defesa não só dos ideais e da grande obra do movimento de 64, mas também de  companheiros alvos da infâmia, difamação e perseguição com requintes de maldade, covardia e desonestidade.

 

Por ser coerente com essa história de vida e de dignidade é que discursou no almoço-desagravo ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que reuniu, em Brasília, quase meio milhar de brasileiros, boa parte de militares, há dias. O militar, alvo de  agressões covardes com base em mentiras de inspiração menor, com objetivos políticos ou mercenários, dedicou os últimos 20 anos a elaborar um livro-documento sobre a Revolução e sobre a sua participação, para o qual contou com a admirável colaboração de sua mulher, Joseíta. O livro, que já vendeu mais de cinco mil exemplares, apesar de boicotado pelas grandes livrarias, impressiona tanto pelos dados fornecidos que motivou novas investidas contra o oficial.

 

O objetivo  dessa campanha parece claro. É o de revogar a Lei de Anistia, proposta e aprovada com o patrocínio do presidente João Figueiredo, exemplar na medida em que o Brasil  conseguiu virar uma página da sua história sem revanchismo, sem intransigência e com grandeza.

 

A literatura existente sobre os anos do chamado regime militar é grande e, a começar pelos próprios opositores ao regime que optaram pela “luta armada”, não são negados os  episódios de terrorismo, seqüestros e justiçamentos, com mortes. O primeiro a morrer  foi o almirante Nelson Fernandes, no atentado no Aeroporto de Guararapes, em 67. Ambos os lados sofreram perdas. Os excessos são conhecidos e lamentados por todos. Mas existe muita mentira, muito abuso e, principalmente, muita busca do ouro pela via de fantasias de toda natureza. Isso já custa uma enormidade aos cofres públicos. Aceitar a anistia é ato de bom senso .

 

O coronel Brilhante Ustra  tem o apreço de seus camaradas. Existe uma unanimidade nos depoimentos justamente em exaltação da maneira humana com que se conduziu na difícil missão de combater os atos violentos que ocorreram em São Paulo naqueles anos. Não podemos admitir que a união dos brasileiros, que a consolidação democrática e a paz interna venham a sofrer abalos com atos de perseguição sem sentido. Hoje, muitos que lutaram em campos opostos estão formando no mesmo grupo político. O PT  e o PSDB, que reúnem  boa parte dos  combatentes daqueles anos, têm aliados leais entre os que apoiavam os governos militares, aos quais o Brasil deve seus melhores anos de crescimento econômico, é bom observar.

 

O que se passa em algumas nações vizinhas  não é exemplo para nós. Nosso compromisso sempre foi com a paz e o olhar para frente. Não se faz política com ódios nem ressentimentos. Aliás, foi assim que os militares governaram. Prova está que muitos que hoje desfrutam de prestígio e estão no mais alto escalão da República exerceram funções nos governos militares. O ministro Celso Amorim, por exemplo, foi diretor da Embrafilme.

 

A dignidade de Jarbas Passarinho, que vem apenas refrescando a memória nacional com sua pena erudita e lúcida, sua voz respeitada, deve ser o  exemplo no trato destas questões. O novo governo  do presidente Lula deve consolidar a paz e a união, proporcionar o progresso, e não manter vínculos com gente menor, ressentida, que quer tumultuar a vida nacional  sem pensar onde está o interesse nacional e a vontade popular.



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