Por Viviane Vaz - Correio Braziliense
O prazo de 72 horas para o fim da mediação do presidente costarriquenho Oscar Arias terminou ontem, mas o impasse em Honduras continua. “Estou esperando uma nova proposta”, disse o chanceler e principal negociador do governo interino, Carlos Lopez. “Estamos esperando uma ligação”, disse. O presidente interino, Roberto Micheletti, exclui a volta do líder eleito Manuel Zelaya ao poder para chegar a um acordo. Arias definiu ontem a negociação como “um processo não isento de oposição e intransigência”.

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O jornalista nicaraguense Juan José Pérez, do diário La Prensa, disse ao Correio, por telefone, que o tema está sendo acompanhado com preocupação em Manágua, sobretudo pelas consequências econômicas à região. A crise em Honduras já fez com que a União Europeia suspendesse as negociações para o acordo de associação comercial com a América Central por tempo indeterminado. Segundo Pérez, também circulam diferentes versões sobre a chegada de Zelaya a Honduras. Uma delas afirma que o presidente deposto entraria pela Nicarágua. Ontem, Zelaya anunciou que pretende voltar hoje a Honduras com uma caravana de manifestantes reunidos nos países vizinhos — El Salvador, Guatemala e Nicarágua.

 

Brasil

Micheletti pediu tranquilidade à população diante das declarações de Zelaya, de que começou uma “guerra civil” no país. A publicitária hondurenha Ana Carolina Andino disse à reportagem que o clima não é de confronto armado em Tegucigalpa, apesar de manifestantes de ambos os lados organizarem protestos perto da casa presidencial. Organizações defensoras de Zelaya convocaram uma greve de funcionários públicos para amanhã, como também o bloqueio de estradas, como forma de protesto ao governo de Micheletti.

Em Brasília, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou ontem a posição brasileira. “O Brasil é totalmente a favor da volta do presidente de Honduras. Mas queremos que isso se realize por meios pacíficos, obviamente”, ressaltou. “Espero que eles (golpistas) compreendam que eles têm de sair, e eles estão apenas retardando sua agonia, porque eles não têm condições de ficar, com prejuízo para o povo hondurenho”, afirmou Amorim. Para o chanceler brasileiro, o povo hondurenho é quem vai sofrer com a manutenção de Micheletti, uma vez que as ajudas humanitárias e de cooperação oficial a Honduras começam a ser interrompidas. A saída apontada por Amorim é resolver a questão nos termos da resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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