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Categoria: Diversos
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 Por Themístocles de Castro e Silva

Entra na cabeça de alguém que uma família, seqüestrada e torturada há mais de 30 anos, só agora se lembre de entrar com ação judicial para reconhecimento de que é verdade o que ela diz? Por mais boa vontade que se tenha com as supostas vítimas, não é possível aceitar como verdadeira a afirmação de que um oficial do Exército torturou duas crianças de quatro e cinco anos. Esse assunto está nas manchetes, numa repetição do espetáculo Bete Mendes, em 85. E o acusado é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que acaba de lançar, com êxito extraordinário, A verdade sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, já em segunda edição. 

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O coronel era Adido Militar no Uruguai, quando visitou o país o presidente José sarney. Bete Mendes, antiga militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, era deputada e integrava a comitiva presidencial. Na volta, dirigiu carta ao presidente dizendo que foi torturada pelo coronel quando esteve presa em São Paulo. Esperou mais de 15 anos para "denunciar" a tortura.

O espetáculo só valeu porque o coronel Ustra escreveu Rompendo o silêncio, que saiu em três edições revelando detalhes da ação terrorista no Brasil, à qual se integrara, com o codinome de "Rosa", a atriz Elisabete Mendes de Oliveira. O livro esmaga todas as mentiras de Bete Mendes, inclusive com alguns depoimentos dela própria.

Agora, depois de mais de 30 anos (coronel Ustra foi chefe do DOI-CODI, em São Paulo, de 29/9/1970 a 25/1/1974), o casal César Augusto Teles-Maria Amélia de Almeida Teles entra na Justiça, dizendo ela à Folha de S. Paulo (9/11/06):

"Fui torturada pessoalmente pelo coronel. Foi ele também que determinou a invasão de minha casa, a prisão de minha irmã e a de meus dois filhos, que tinham quatro e cinco anos. Meus filhos ficaram pelo menos dez dias na prisão".

Esclarece o jornal que o processo movido pela família contra o militar é uma ação declaratória, que pede o reconhecimento de que houve danos morais e à sua integridade física. Seu conteúdo é mais político e simbólico. Não requer indenização pecuniária nem implica pena de multa ou prisão.

Vejam bem: Bete Mendes passou 15 anos para dizer que foi torturada. O casal César-Maria Amélia silenciou durante mais de 30 anos. As razões que alega são muito fracas. O coronel já está na reserva, sem alimentar qualquer pretensão política. Por que o casal demorou tanto em dizer que foi torturado?

Que o objetivo da "denúncia" está escondido, não se tenha qualquer dúvida. Se o casal não requereu indenização pecuniária, nada impede que ainda o faça. Sabem que nada menos de R$ dois bilhões e duzentos milhões - isso mesmo: R$ dois bilhões - vão ser distribuídos logo mais aos "perseguidos", "torturados" e correlatos? É tanto dinheiro que os bancos o disputam, com planos de antecipação, como fazem com o 13º salário.

Se algum juiz ignorar a lei de anistia e reconhecer a "tortura" no casal, claro que a cotação da indenização financeira sobe. Mas as instâncias superiores naturalmente derrubarão a farsa do casal, que não tem sentido nem como capricho.

O coronel Ustra diz o que ocorreu (Estadão, 12/11/06):


"Em 28 de novembro de 1982, nós estávamos na cola do PCdoB, que tinha uma estrutura montada em São Paulo para mandar militantes ao Araguaia. Nós tínhamos de evitar isso, para que eles não virassem uma Farc. Batemos então na gráfica do PCdoB. Lá estavam a Amélia, o César, a Criméia e duas crianças. Eu disse: tragam os adultos para cá e levem as crianças ao Juizado de menores.

Perguntei aos presos se eles tinham parentes em São Paulo e eles disseram que tinham em Belo Horizonte. Era um delegado. Mas um sargento da PM se ofereceu para ficar com as crianças até eles serem entregues ao tio. E o bobalhão aqui permitiu que os pais vissem as crianças diariamente".


O coronel Ustra está pagando pelo livro que acaba de lançar, mostrando ao País, nos mínimos detalhes, toda a ação criminosa da esquerda no Brasil, dando o nome de todos os 120 brasileiros assassinados pelos terroristas hoje em posições no governo ou recebendo gordas indenizações. 

Jornal O POVO - Fortaleza - 18/11/2006