Lula e Lugo.
Vocês querem ver o que é "entreguismo", esperem o PT chegar ao poder.
Olavo de Carvalho durante uma aula nos anos 90.

ASSUNÇÃO, Paraguai - O Globo - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo assinaram neste sábado acordo que altera de forma significativa a forma como a energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu é atualmente compartilhada pelo Brasil e pelo Paraguai. Um dos pontos chaves é o de que a Eletrobrás pagará um pouco mais pela energia excedente que adquire daquele país.

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Esse aumento, porém, incidirá apenas sobre o "bônus de cessão de tarifa" - um adicional de compensação (pago há anos), que passará de US$ 120 milhões anuais para US$ 360 milhões por ano - e não sobre a tarifa em si. Além disso, o Paraguai terá a opção de "gradualmente comercializar energia" também à outras empresas no mercado brasileiro

Lula disse à Eletrobrás que não quer aquele acréscimo seja repassado ao consumidor. Ainda assim, alguns brasileiros pagarão por isso:

- Se você escapar dele como consumidor, poderá vir a pagar como contribuinte - disse o embaixador Enio Cordeiro, subsecretário de Assuntos da América do Sul, lembrando que caberia ao Tesouro bancar esse custo.

Para ser implementado, o acordo intitulado "Construindo uma nova etapa na relação bilateral", terá que ser aprovado tanto pelo Congresso brasileiro quanto pelo paraguaio. Ao anunciá-lo, Lula o definiu como "histórico", acrescentando que é obrigação dos países maiores ajudar os menores a dar "um salto de qualidade em sua capacidade de desenvolvimento produtivo".

- Ao Brasil não interesse crescer e se desenvolver se os seus parceiros não crescem e não se desenvolvem. Não podemos permitir que uma carga ideológica passe a idéia de que um país é vítima do outro, ou de que constrói hegemonia sobre outro.

Sentado ao seu lado, Lugo reforçaria a seguir, agradecendo efusivamente a solidariedade de Lula:

- Não se trata de um acordo em que um perde e outro ganha. Não há vencedores nem vencidos. Todos ganhamos. Esse acordo marca uma nova etapa, apagando os preconceitos - afirmou o presidente paraguaio.

Ele queria, ainda, vender energia a terceiros países mas o Brasil não concordou. Acertou-se, no entanto, que ambos os países possam fazer isso a partir de 2023. Lula também concordou em que a Itaipu Binacional construa uma nova linha de transmissão (de US$ 450 milhões) para o interior paraguaio, para permitir a implantação de indústrias. O governo do país não dispunha de dinheiro para isso.

O acordo contém várias outras concessões brasileiras. Lula prometeu criar um fundo de desenvolvimento regional para apoiar, especificamente, "a implementação de projetos de cunho industrial e produtivo".

Além disso, ofereceu - igualmente sem mencionar cifras - "financiamento em termos favoráveis", com recursos do BNDES e do Proex, para obras de infraestrutura de interesse do governo paraguaio. Ficou prometido, ainda, o início de estudos para construir uma conexão ferroviária entre Cascavel (PR) e Ciudad del Este, como parte do corredor bioceânico Antofagasta-Paranaguá.

Depois que Lula se retirou da sede do governo paraguaio, o presidente Lugo anunciou o acordo ao país, em cadeia nacional de TV, como o seu maior exito político, regozijando-se pelo fato de que "em dez meses de governo conseguimos algo que foi impossível em mais de trinta anos". Em seguida, sugeriu que o Paraguai ganhara outra postura:

- O que assinamos hoje com o Brasil abre uma nova era de diálogo entre iguais.

 

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