A não repressão do consumo, entitulada como direito pelos políticos aproveitadores e intelectuais consumidores, nada mais criou do que uma escalada sem igual da violência urbana. Eu aqui do Rio, vi a degradação da cidade após o desgoverno do senhor Brizola, somado a inépcia dos outros piorou o quadro, onde não sabemos se voltaremos vivos para casa. Muitos não voltam.

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A impressionante estatística sobre os assassinatos de adolescentes no Brasil, divulgada esta semana pelo Unicef, expôs um quadro preocupante para o país, por mostrar que de nada adianta ter melhorado os índices de mortalidade infantil se as crianças salvas das doenças da inanição sucumbem depois à violência cotidiana. A estatística é assustadora, porque o avanço trouxe a média de mortes a cada mil nascidos de 60 para 23 em 18 anos, conforme destacou o coordenador do Unicef, Manuel Buvinich. Porém, mais adiante, esses mesmos meninos e meninas estão perdendo a vida precocemente, já que 46% das mortes entre 12 e 18 anos são decorrentes de homicídios. A conta projeta a possibilidade de 33 mil adolescentes não se tornarem cidadãos adultos, produtivos, felizes e realizados pessoal e profissionalmente. É como se a barreira inicial da falta de condições na infância tivesse sido reinstalada às portas da idade adulta.

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É esse o principal espectro produzido pelo tráfico de entorpecentes, que atinge cidades de todos os tamanhos. A maioria dos jovens assassinados perde a vida enquanto usuários das drogas, não como traficantes. A projeção, nesse caso, denota a fragilidade do sistema social que devia protege-los das ameaças. A educação voltada para essa faixa etária se ressente de investimentos sobretudo voltados para o incentivo à qualificação profissional, à realização do sonho da independência financeira. Alfabetizados, os jovens de baixa renda acabam presos na busca por uma ocupação que garanta a sobrevivência em vez de investir no próprio sonho. Em lares onde falta de tudo, o apelo do tráfico muitas vezes parece irresistível. A condição econômica, de acordo com os dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos perpetua as desigualdades e deixa transparente o fosso racial que se supunha cimentado. O risco de um adolescente negro morrer de forma violenta é quase três vezes maior que o de um branco. O retrato dessa vítima é quase sempre o mesmo: pobre, morador da periferia, sem antecedentes criminais e também ocupação formal. Esse é o ponto chave: na falta de programas sociais permanentes que garantam direitos como moradia, profissionalização, acesso a alternativas culturais e oportunidades de trabalho e renda cria uma barreira intransponível e injusta.

Esse receituário é antigo demais para ser considerado uma novidade. Repete-se a cada campanha eleitoral, com cada versão sendo atualizada apenas no cenário para a qual se destina. E essa é a chaga que anula os ganhos com a redução da mortalidade infantil: uma distorção que deixa clara a opção do poder público principalmente em uma atuação concentrada na primeira infância, quando o sistema tinha de acompanhar o indivíduo - sobretudo aquele com menos chances - até que o cidadão estivesse formado. O arcaísmo não é só no escopo da sociedade controlada por elites, mas em mecanismos judiciais que muitas vezes desestimulam o ingresso do jovem em formação no mercado de trabalho.

Diante desses números, o governo reconhece a gravidade do quadro e afirma que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pode mudar a situação ao apostar na urbanização de áreas de extrema vulnerabilidade. É bom, mas perigoso: apenas arranha, e temporariamente, as causas do problema. A praça nova afasta o jovem da violência. Temporariamente. Educação e emprego – e, em consequência, perspectivas de longo prazo – é que podem mantê-lo vivo e realizado.

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