Venezuelano congela relações com Colômbia e equatoriano fala de 'resposta militar' ao país vizinho -  Janaína Figueiredo - O Globo
O suposto vínculo entre a Venezuela e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltou a provocar sérios problemas para o presidente Hugo Chávez, sobretudo para o relacionamento de seu país com o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que esta semana revelou a descoberta de armas suecas compradas pela Venezuela em mãos da guerrilha. A crise aumentou ontem, depois que Chávez convocou o embaixador venezuelano na Colômbia, congelou as relações diplomáticas e econômicas entre os países e ameaçou expropriar todas as empresas colombianas "em caso de nova agressão".

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As denúncias sobre uma parceria entre o venezuelano e as Farc voltaram a estremecer a política andina, em meio a novas advertências do presidente do Equador, Rafael Correa, às autoridades colombianas. Um ano e meio após o ataque a um acampamento das Farc em território equatoriano - episódio que provocou a morte de Raúl Reyes, na época uma figura de proa da guerrilha - Correa assegurou que uma nova interferência da Colômbia em seu país o obrigaria a uma reação, e seus adversários o acusaram de estar "arrastando o Equador para uma guerra".

- Se a Colômbia nos agredir de novo, a resposta será militar. Não permitirei uma nova invasão do território pátrio, como ocorreu em 1º de março de 2008 - declarou Correa, que semana passada negou ter recebido uma contribuição financeira das Farc em sua campanha eleitoral de 2006, informação dada num vídeo em que aparece um dos líderes das Farc, Mono Jojoy, e que teria sido encontrado por militares colombianos.

 

As Farc negaram ontem terem enviado dinheiro para a campanha de Correa.

A tensão entre os países aumentou no momento em que Chávez e Correa temem um possível acordo entre a Colômbia e os EUA, que permitiria a Washington utilizar bases colombianas. Com este pano de fundo, o surgimento de evidências sobre uma parceria entre Chávez e as Farc é útil para a estratégia da Casa Branca de desprestigiar seu principal adversário na região.

Apesar de deslegitimadas no cenário internacional e enfraquecidas internamente (o grupo chegou a ter 20 mil guerrilheiros e hoje teria menos de dez mil), as Farc se transformaram num dos principais elementos de conflito entre os governos andinos. Na visão do analista argentino Jorge Battaglino, professor de Segurança Sul-Americana do mestrado de Relações Internacionais da Universidade Di Tella, "o conflito em torno das Farc faz parte de uma briga superior entre a Venezuela e os EUA, na qual a Colômbia aparece como principal aliado dos EUA, e o Equador, com menos peso, é sócio do governo chavista".

- As suspeitas sobre uma aliança entre Chávez e as Farc ajudam o governo americano - disse Battaglino.

Segundo ele, "para a Casa Branca, o governo chavista é a principal ameaça que existe hoje na região".

- Não sabemos se as Farc financiaram os governos de Chávez e Correa, se as armas suecas foram de fato vendidas pela Venezuela. O que, sim, sabemos é que as Farc viraram um problema grave não somente para a Colômbia, mas também para a Venezuela e o Equador - afirmou o professor.

Pouco antes de o governo Uribe denunciar a presença de armas venezuelanas em acampamentos das Farc, o presidente venezuelano acusou o governo americano de pretender ter uma plataforma para atacar o seu país no território colombiano.

- O presidente ianque (Barack Obama) está transformando a Colômbia numa plataforma para agredir povos irmãos - declarou Chávez.

À noite, Chávez repetiu a atitude que teve após o ataque colombiano a Reyes e retirou seu embaixador:

- Ordenei a retirada de nosso embaixador em Bogotá, para retirar nosso pessoal diplomático. Congelaremos as relações com a Colômbia.

 

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