Por  Carlos Alberto Cordella

Estamos passando por um momento conciliatório. O presidente da República quer conciliar com os militares e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica concordam como cordeiros indo para o abate. A  chamada conciliação de mão única.  Conciliar é por em boa harmonia, congraçar, reconciliar.   O caso envolvendo o Cel Ustra numa ardilosa e arquitetada mentira, baseada em puro revanchismo e torpeza, ganhou novos contornos quando a força ao qual serviu durante maior parte de sua vida, com lealdade e honra, o deixou entregue aos abutres revelando a falta de coragem e surpreendente omissão daqueles que têm por dever defender seus subordinados e não o de alegar que o momento não seria oportuno para uma tomada de posição. É hora de conciliação.

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O mínimo que se esperava era, justamente, uma tomada de posição firme e honesta defendendo o Cel Ustra que, quando chamado ao cumprimento do dever não hesitou ou demonstrou a mesma omissão e fraqueza de princípios, dos atuais chefes militares.

Quando se esperava do Cel Ustra o posicionamento firme, característico de um chefe militar, lá estava ele pronto a cumprir com seu dever.

Já, alguns preferem optar pelo momento conciliatório e não se envolver neste assunto que não lhes diz respeito, pois a hora não é oportuna. Quando seria esta hora oportuna?

Pergunto o que teria acontecido se o Cel Ustra quando designado comandante do DOI-CODI, do II Exército, na década de 70, tivesse optado pela conciliação e respondesse a seus superiores que o momento não era oportuno para comandar aquele órgão de segurança?

Como explicar isto aos novos oficiais? Stédile com certeza apresentaria uma explicação lógica. Vá lá e cumpra com seu dever e no futuro não espere nada da força, pois se tiver que ser jogado aos abutres estará sozinho e sem o apoio de seus camaradas.

Este exemplo passado, por alguns integrantes da força, sugere uma nova geração de oficiais e futuros comandantes. Uma geração de subservientes apáticos e sem firmeza de propósitos, para não dizer com todas as letras uma geração talhada pela covardia e sem princípios éticos.

Aprende-se nas escolas militares que, durante o combate, soldados só contarão com o apoio e a ajuda de uns aos outros, de sua coragem e preparo profissional, nada além disso.

Como fica essa situação quando uns não confiarem nos outros?

Teremos um exército ou um bando de lacaios?

Quem defenderá a nação de seus opressores caso este momento se apresente como se apresentou no passado?

Qual a garantia que soldados terão de estarem cumprindo com seu dever e que ordens são para serem cumpridas e não questionadas ou as ordens deverão ser expedidas com reconhecimento de firma e somente após aprovação de uma comissão designada para tal?

Quem os defenderá dos abutres?

Quando este momento ocorrer os pilares de sustentação da instituição militar, a hierarquia e disciplina, terão desabado e nada mais restará a não ser um bando. Aí só vejo como solução chamar o Stédile.

Talvez quando Lula em um almoço recente  oferecido por oficiais generais referiu-se a estes como um bando já estava antevendo o futuro daqueles chefes.

Quando o Ministro da Defesa convoca sargentos para uma reunião desconsiderando a hierarquia militar e refere-se a um brigadeiro chamando-o, por completa ignorância e descaso, de coronel já há indícios que os militares estão perdendo o respeito próprio e que dificilmente poderão contar com seus camaradas, o que dizer dos outros.

Cada um estará entregue a própria sorte.

Estamos diante de flagrante desrespeito ao estado de direito e a democracia onde os companheiros do dissimulado apedeuta mor tentam burlar as leis e derrubar a lei de anistia em vigor a quase trinta anos. Não há dúvida que os ataques, covardes e intencionais, a pessoa do Cel Ustra, tem apenas como objetivo a derrubada da lei de anistia e dissimuladamente envolver os incautos com a conversa mole da conciliação.  Assim eles dizem em seus pronunciamentos.  Estamos diante de um processo conciliatório de mão única onde o lema é:  vamos conciliar com nossos desafetos, desde que estes estejam sentados no banco dos réus.
       


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