Revista Época - Leandro Loyola - APOIO VELADO -  Os EUA ampliam sua presença na Colômbia. Armas da Venezuela são encontradas com a guerrilha. O clima entre Uribe e a dupla Chávez-Correa só piora.
Soldados colombianos em acampamento das Farc. Eles acharam armas da Venezuela. Há anos, o governo da Colômbia desconfia que seu maior adversário, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), recebe apoio militar da Venezuela e mantém relações próximas com o Equador. Na semana passada, surgiram evidências de que as suspeitas podem ser verdadeiras. A revista colombiana Semana afirmou que o Exército apreendeu armas da Venezuela em um acampamento das Farc. Dias antes, havia surgido um vídeo em que um líder das Farc falava de ajuda financeira à campanha eleitoral de Rafael Correa em 2006, quando ele foi eleito presidente do Equador. Divulgadas às vésperas da assinatura de um acordo para a ampliação da presença militar dos Estados Unidos na Colômbia, as informações esgarçaram mais as péssimas relações entre o país e seus vizinhos.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou um novo congelamento das relações diplomáticas e econômicas com a Colômbia. Correa já havia cortado relações com a Colômbia no ano passado, quando o Exército colombiano destruiu um acampamento das Farc no Equador. A questão das Farc pesou, mas Chávez e Correa estão preocupados é com o aumento da presença americana na região.

Pelo acordo, os Estados Unidos poderão aumentar o número de militares nas bases de Malambo, Palanquero e Apiay, na Colômbia. A medida lembra os tempos da Guerra Fria, entre Estados Unidos e Rússia. Enquanto os americanos aumentam seu espaço na Colômbia, a Venezuela amplia a compra de armas da Rússia para “se defender”. Chávez e Correa não são os únicos incomodados com a chegada de mais americanos. Brasil e Espanha questionaram os Estados Unidos sobre as bases. “Posso dizer que a mim não me agrada mais uma base (americana) na Colômbia”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Mas como eu não gostaria que o (presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe desse palpite nas coisas que eu faço no Brasil, eu prefiro não dar palpite nas coisas do Uribe.”

Estados Unidos e Colômbia têm uma antiga parceria militar. As relações se estreitaram a partir de 2002, na gestão de Uribe. Graças à ajuda militar americana no Plano Colômbia, Uribe aumentou os gastos com defesa. Seu governo acumula significativas vitórias contra as Farc, em decadência após 40 anos de luta.

Por suas diferenças ideológicas, Equador e Venezuela vivem trombando diplomaticamente com a Colômbia. O colombiano Uribe é um político de direita, aliado dos Estados Unidos. Chávez e seu discípulo Correa são esquerdistas com um veio populista, que mantêm um radical discurso antiamericano. Nos últimos tempos, ambos se afastaram – pelo menos em público – das Farc. A descoberta das armas e do vídeo deixa Chávez e Correa numa posição ruim. Eles têm de explicar se ajudaram ou não um grupo terrorista e têm menos argumentos para se opor à chegada dos ianques a seu quintal.

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