Por Osmar José de Barros Ribeiro
Os acontecimentos que vêm envolvendo países, ibero-americanos, além dos Estados Unidos, dão bem a medida da influência exercida pelos governos esquerdistas que, em má hora, ascenderam ao poder em seus países. São, todos eles, por sua origem partidária, partícipes do Foro de São Paulo. A cessão aos EUA da utilização de bases na Colômbia, deflagrou um processo de difícil entendimento, salvo se nos reportarmos à histriônica, mas nem por isso menos perigosa, figura de Hugo Chávez que sonha em implantar, nas Américas do Sul e Central, aquilo que chama de “socialismo do século XXI”, uma contrafação do comunismo cubano.

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Tudo começou quando, em dezembro de 2004, em Havana/Cuba, Chávez e Fidel Castro (também ideólogo do Foro de São Paulo), assinaram um Acordo para o envio de médicos cubanos à Venezuela, em troca do abastecimento de Cuba com o petróleo venezuelano. Era a criação da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), complementada em 2006 com um Tratado de Comércio dos Povos (TCP). Fazem parte da ALBA, os seguintes países: Nicarágua, Dominica, Honduras, Equador, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas. Todos, movidos pelo petróleo venezuelano subsidiado, à exceção do Equador, que a integra pelas afinidades ideológicas dos seus presidentes.

 A tentativa chavista de trazer a pequena Honduras para o seu aprisco (onde já conta com a “ovelhas” Correa e Morales), passando por cima das normas constitucionais daquele país, deu causa a um problema diplomático, sem solução até o momento em que é escrito este artigo. Todos devem lembrar a unânime reação dos países da OEA contra a deposição de um presidente que, obediente às ordens de Chávez e seguindo o seu exemplo, pretendia perpetuar-se no poder.

Em sequência, mas sem que houvesse ligação entre os fatos, a base norte-americana de Manta, no Equador, foi fechada, assim como haviam sido suspensas na Bolívia as atividades do DEA (departamento norte-americano de combate às drogas). Considerando o passado de cooperação com os EUA, nada mais natural que aquelas atividades fossem transferidas para a Colômbia, aliada no combate às drogas e que, há mais de 40 anos, luta para erradicar os narcotraficantes locais, não por acaso, protegidos pela Venezuela e pelo Equador.

A notícia do encontro de armas anti-carro com as FARC e que as mesmas haviam sido vendidas pela Suécia à Venezuela, veio deixar Chávez numa saia justa, haja vista que sempre negara qualquer tipo de relacionamento com os narcoguerrilheiros colombianos. Daí, a urgente necessidade de desviar o foco das atenções desse grave problema, transferindo-o para as “bases norte-americanas” na Colômbia.

O êxito, contando com o decidido e indispensável dos porta-vozes do Foro de São Paulo foi, admitimos, quase total e os meios de comunicação dos países “abaixo do rio Grande”, logo alardearam o presumido perigo de uma intervenção dos EUA na região, esquecidos de que pouco mais de mil homens, entre civis e militares, não tem essa capacidade. Além disso, muito convenientemente, não dizem que, se assim o desejarem, os norte-americanos podem, facilmente, prescindir de bases terrestres para projetar o seu poder militar na América do Sul.    

Quando da recente visita do presidente colombiano a outros países, com o intuito de deixar clara a posição colombiana, a reação foi a seguinte, segundo noticiado pela imprensa:

Brasil - Lula disse que bases americanas não o agradam e defendeu que acordo fosse discutido na Unasul; a Uribe, pediu garantias de que tropas americanas só atuariam no combate ao narcotráfico dentro de território colombiano;

Uruguai - Apesar de se dizer contra toda presença militar dos EUA no continente, Tabaré Vázquez diz que não tem direito de intervir em “assuntos internos”;

Paraguai - Fernando Lugo diz respeitar decisão colombiana e só espera que a presença dos EUA no país “não cause inconveniente a vizinhos”;

Argentina - Segundo assessores, Cristina Kirchner repudiou o acordo, alegando que bases americanas são “elemento perturbador” em uma região onde é preciso reduzir as tensões;

Chile - Depois de ter se pronunciado contra o acordo em viagem ao Brasil, Michelle Bachelet recebeu Uribe e amenizou o discurso, declarando que respeita a “decisão soberana” de Bogotá;

Bolívia - Considera bases americanas uma “agressão” à região; Evo Morales promete levar à reunião da Unasul proposta para impedir que os Estados Unidos usem bases na América do Sul;

Peru - Mesmo antes de receber Uribe, Alan García já havia expressado seu apoio ao acordo militar entre Bogotá e Washington.

Critica-se um inexistente “golpe militar” em Honduras e a utilização de bases militares colombianas pelos EUA. Convenientemente, nada se fala dos acordos militares da Venezuela com a Rússia e o Irã, nem da ajuda que o Equador e a Venezuela prestam aos narcoguerrilheiros das FARC, pois isso não convém ao Foro de São Paulo

Haja hipocrisia!

 

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