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 País só perde para EUA, Argentina e México, mas especialistas acreditam que o ápice da doença se encerra este mês. E avaliam que políticas do governo estão no caminho certo - Correio Braziliense

Com 129 mortes confirmadas em decorrência da influenza A (H1N1), também conhecida como gripe suína, o Brasil ocupa a quarta posição, em números absolutos, no ranking dos países mais afetados pela doença. A liderança é dos Estados Unidos, com 353 casos, seguidos da Argentina (337) e do México (146), o terceiro colocado. Ouvidos pelo Correio, especialistas concordam que o número de vítimas no Brasil é alto, mas adiantam que a disseminação da doença pode declinar agora em agosto.

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Apesar de não conhecer em detalhes a estratégia do Brasil para combater a nova gripe, Eduardo Gotuzzo, diretor do Instituto de Medicina Tropical Alexander von Humboldt, da Universidad Peruana Cayetano Heredia, acredita que o país tem adotado as medidas corretas. “Embora o protocolo adotado seja de caráter técnico, o número de óbitos é alto”, reconhece Gotuzzo. Sobre o México, Eduardo observa que a redução de casos e mortes no país também é explicado pelo aumento da temperatura. “Paralelo a isso, a curva da doença é decrescente, o que mostra que o pior já passou”, explica.

Autor do livro A história da humanidade contada pelos vírus, o infectologista Stefan Cunha Ujvari também concorda que o número de mortes no território nacional é alto. “É uma realidade, mas estamos próximos de uma estabilização de óbitos e novos casos. É natural que toda pandemia alcance um ápice e depois haja um declínio. O México, por exemplo, está com essa curva decrescente.” “O Ministério da Saúde do Brasil está cumprindo seu papel, mas deve haver uma divulgação maciça sobre a nova gripe, função que vem sendo adotada pelos meios de comunicação”, diz.

Para o infectologista Cézar Carranza, da Universidade de Brasília (UnB), ainda em agosto deve começar a ocorrer uma redução de mortes e novos casos de gripe suína no país. “Há uma corrente de infectologistas que afirma estarmos próximos de uma curva decrescente”, acredita. “Esse número de óbitos era esperado por todos e deve aumentar um pouco nos próximos dias, porque faz parte do próprio ciclo de uma pandemia”, explica, lembrando que o Brasil enfrenta atualmente a segunda fase da disseminação da enfermidade. “Passada a primeira parte, estamos agora com a transmissão sustentada.” (RC)

 

Quase 3 mil casos confirmados

O Ministério da Saúde informou ontem que o país tem 2.959 casos confirmados da gripe A (H1N1). O órgão contabiliza 96 mortos pela doença, mas como os dados foram fechados em 1º de agosto, não levam em conta notificações feitas pelos governos estaduais, que já fizeram o número de óbitos chegar a 129.

De acordo com o boletim, do total de mortos, 52 eram mulheres e 14 estavam grávidas. Os casos da nova gripe já superam os da gripe comum. O vírus é responsável por 67,5% casos de influenza no país. Segundo o ministério, 844 pessoas, ou 28,5%, tiveram febre, tosse e dificuldade de respirar — o que configura síndrome respiratória aguda grave.

“Aparentemente, o novo vírus tem uma evolução mais rápida para um caso grave e acomete muito mais os pulmões do que a gripe comum”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado. Entre as pessoas que tiveram gripe sazonal, o índice de pacientes com quadro grave não passou de 22,3%.

Segundo o boletim, pessoas com pelo menos um fator de risco para a gripe têm risco de morte 2,63 vezes maior. (DM)