- Que os dignos levamtem a mão !!!

Presidentes moderados contêm ataques à Colômbia na Unasul. Lula quer reunião com Obama - Por Chico de Gois - O Globo
Intervenções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da argentina Cristina Kirchner abortaram ontem a tentativa de transformar a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) numa condenação à Colômbia por estar negociando um acordo com os Estados Unidos para utilização de bases militares em seu território. Coube a Lula sugerir que o assunto das bases seja discutido no local adequado - uma reunião dos ministros da Defesa e do Exterior em 24 de agosto, provavelmente em Quito. Lula ainda propôs - e foi apoiado pelos demais - que a Unasul convide o presidente americano, Barack Obama, para discutir sua política para a América Latina. Ainda não há uma data para essa reunião, mas a ideia é aproveitar o encontro da ONU, em Nova York, no mês que vem, para isso.

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O presidente brasileiro também sugeriu que os dirigentes da Unasul discutam o tema abertamente, mas, para tanto, é necessária a participação do colombiano Álvaro Uribe, que não esteve ontem em Quito. Colômbia e Equador cortaram relações diplomáticas ano passado.

Cristina sugeriu que esse encontro ocorresse na Argentina, um território neutro. O presidente brasileiro atuou, ainda, para baixar o tom dos discursos contra os EUA do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do próprio Correa e de Evo Morales, da Bolívia.

- Não consigo ver a possibilidade de aumentar os conflitos na nossa região num momento em que tudo indica que, quanto mais paz nós tivermos, mais chances teremos de recuperar o tempo perdido e dar ao nosso povo a melhoria de vida que ele precisa - disse Lula.

Para ele, essa crise será resolvida com "muita conversa":

- As pessoas vão ter que ouvir coisas que não gostam. Mas eu penso que todos nós, na política, sabemos que é entre conquistar e ceder que a gente vai conseguir encontrar a tranquilidade que necessitamos.

 

Chávez: sopro de 'ventos de guerra'

A corrente pela moderação também contou com a participação dos presidentes de Chile, Michelle Bachelet, e Paraguai, Fernando Lugo. Dessa forma, a questão das bases colombianas não foi mencionada no documento final da reunião.

Lula sugeriu a Correa que, como atual presidente da Unasul, convide Obama para uma reunião.

- A Unasul poderia convidar o governo dos Estados Unidos para uma discussão profunda sobre a relação deles com a América do Sul.

A presidente Cristina Kirchner fez coro com Lula. Ela observou que se está criando na região um clima de beligerância, o que é inaceitável.

- O problema não é militar. Quando há conflitos é porque fracassou a política - analisou, defendendo a necessidade de Uribe explicar aos demais, na Unasul, por que quer deixar os EUA usarem bases colombianas.

Antes das intervenções de Lula e da presidente argentina, a reunião de transferência da Unasul das mãos de Bachelet para Correa parecia destinada à execração do acordo de Uribe com os EUA. Os discursos incendiários foram liderados por Hugo Chávez, que acusou a Colômbia de traição.

- Ventos de guerra começam a soprar sobre a região - disse ele. - Uma agressão da Colômbia contra solo venezuelano terá uma resposta militar. A Venezuela está preocupada porque a Colômbia nos tem na mira.

Correa seguiu a mesma linha do colega venezuelano. Depois de observar que, por uma questão protocolar, não tocou no tema das bases militares durante seu discurso de posse na presidência rotativa da Unasul, Correa disse que o Equador está cansado das práticas da Colômbia:

- Estamos realmente cansados. Temos aguentado muitíssimo.

Correa afirmou ainda que o acordo envolvendo bases colombianas não é apenas um perigo para a região, mas uma provocação:

- Temos que ter uma atitude muito firme.

 

Colômbia pode não ir a reunião

A vice-ministra do Exterior da Colômbia, Clemencia Forero, que representou seu país na cerimônia da Unasul, defendeu a intenção do governo de Uribe de ceder espaço para os americanos. Ela negou que as bases serão americanas e disse que estarão sujeitas às leis colombianas e serão utilizadas por colombianos.

- Não há nem haverá bases militares dos Estados Unidos na Colômbia. Haverá um acesso limitado a instalações militares da Colômbia.

O governo colombiano confirmou ontem que o país não participará da reunião de ministros da Defesa, caso seja realizada em Quito. Mas Clemencia se mostrou favorável à reunião, e pediu que sejam analisados outros assuntos, como o tráfico de armas - referência às armas suecas compradas pela Venezuela que foram parar nas mãos das Farc - e atividades de grupos ilegais na região.

 

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