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Categoria: Diversos
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 Por Eliane Cantanhede

Depois de nadar bravamente contra a corrente nos últimos anos, a Polícia Federal morre na praia bem no finalzinho do primeiro mandato de Lula. Muito elogiada (inclusive neste espaço) por furar ondas gigantescas, como a Daslu, e por resistir a peixes graúdos, como políticos, doleiros e até policiais, a PF parece ter chegado a um limite: a própria chefia.
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Enfrentou todos os perigos, mas sucumbiu sob o PT de Lula. Fica difícil, até esquisito, a polícia que grava e prende tudo e todos explicar que não consegue responder a uma pergunta que persegue milhares, talvez milhões de pessoas: afinal, de onde veio o dinheiro da compra do dossiê contra o PSDB?

Como fica difícil, até esquisito, a polícia ter se contentado com a versão estudada e combinada dos envolvidos de que o PT nacional é inocente e toda a culpa é do PT paulista.

O PT de Lula e de Berzoini não teve nada a ver?

E o de Mercadante teve tudo, sozinho?

Então os "aloprados" não eram aloprados, e o próprio Lula deveria pedir desculpas aos companheiros. O Freud do Planalto, o churrasqueiro, o cara do Banco do Brasil, o outro que é velho amigo de Lula e todos aqueles envolvidos saem das investigações como uns pobres injustiçados, enquanto Mercadante veste a carapuça de aloprado-mor -ou de mordomo da vez. Com aquela velha prática delubiana: ele, que já perdeu a eleição mesmo, aceita a culpa e é recompensado com uma sucessão de elogios. Num dia, Lula. No outro, o presidente do PT. No terceiro, um ministro importante. Vira assim uma espécie de mártir. Dá a vida para salvar os companheiros e leva elogios de consolação. É uma pena que Mercadante, que começou tão bem, acabe tão sozinho e tão mal. Tanto quanto a PF, que se mostrou um tubarão para os poderosos de fora, mas uma sardinha para os de dentro.