O novo ano começou e as tradicionais festas levaram o povo às ruas e às praias para comemorar a mudança de calendário, oportunidade de muitas alegrias, anseios e esperanças. Desta vez houve o reforço das solenidades de posse dos novos governantes eleitos a reunir também multidões desejosas de expressar solidariedade e ávidas por conhecer, ouvindo os discursos, os novos rumos e as possíveis mudanças na conjuntura política capazes de conduzir ao bem comum.

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Decorrente da violência e do barbarismo de que foi palco, há poucos dias, o Rio de Janeiro, onde se repetiram cenas já vistas em São Paulo, a segurança pública foi um dos temas mais enfatizados tanto no âmbito federal, quanto nos estaduais. Talvez tenha chegado a hora dessa importante atividade para a cidadania deixar de ser tratada apenas esporadicamente, em momentos de crise, e passar a merecer a prioridade reclamada pela população. As manifestações e condenações feitas pelo presidente reeleito e por vários governadores, à frente o do Rio de Janeiro, induzem a pensar que é tempo de ações planejadas consistentes e permanentes em favor da defesa da cidadania e do combate efetivo inteligentemente coordenado, no tempo e no espaço, ao crime organizado. Que não se queira substituir, por ignorância ou má fé, os órgãos constitucionalmente responsáveis por esse dever do Estado pelas Forças Armadas ou por uma entidade de constituição efêmera, como é a chamada Força Nacional de Segurança, somente capaz de ações eventuais e pontuais sem capacidade de durar na missão. Só o futuro dirá se os aplaudidos discursos prenunciadores da prevalência da tranqüilidade social foram obra de retórica de palanque ou sinal do despertar de uma nova era.

Infelizmente no Brasil de hoje é fácil se ouvir promessas e conhecer boas intenções dos governantes, embora difícil seja se ver as suas realizações... O Presidente reeleito é, a meu ver, um exemplo característico desse modo de agir. Carismático, sabe se comunicar com o povo, tocando os seus sentimentos, mas em termos de eficácia de ações é um fracasso. Tomou posse no seu segundo mandato sem dar conhecimento à nação de sua equipe ministerial, dos seus planos de governo e de suas metas, mas apenas anunciando a necessidade de fazer o país crescer mediante a execução de um plano específico, ainda em elaboração. E o que é pior, fato ímpar e certamente enriquecedor do nosso anedotário político, anunciou, no seu primeiro dia do novo governo, que gozará um período de férias ainda no corrente mês, antes mesmo de começar a governar!

O crescimento do país, inexistente nos últimos quatro anos, deve significar o indispensável desenvolvimento e modernização dos setores produtivos e da capacidade de circulação das riquezas nacionais, além do aprimoramento da estrutura administrativa oficial, substituídos que foram no primeiro mandato presidencial por ações de generosidade financeira asseguradoras do sucesso de um prioritário projeto eleitoral vulnerado, repetidamente, por ações políticas inescrupulosas, de todos conhecidas, fato que colocou o Brasil na desconfortável companhia do Haiti, país ocupante do último lugar em termos de crescimento nas Américas.

Discursos e diagnósticos adequados à conjuntura nacional e estadual, mas é bom lembrar que o Brasil tem pressa e não pode mais esperar!

(Gen Ex José Carlos Leite Filho – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - 04/01/07)

(Publicado em “O JORNAL DE HOJE”, de 04/01/07 – Natal-RN)
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