Por Aristoteles Drummond - Jornal do Brasil 
RIO - A queda do Muro de Berlim acaba de fazer 20 anos, um aniversário redondo. O fato mereceu muitas reportagens na mídia internacional, mas muito pouco se falou sobre o que está acontecendo no mundo de lá para cá. Em primeiro lugar, a queda do muro trouxe o ponto positivo da libertação de centenas de milhões de seres humanos que viviam nos campos de concentração, que, na verdade, eram os países da área de influência de Moscou. Sem liberdade de imprensa, sem o simples direito de ir e vir, inclusive dentro dos próprios países, permissão para prática religiosa e o direito à propriedade. Foi um ganho que valeu o século 20, consagrou três personagens admiráveis, aos quais a humanidade muito deve: João Paulo II, Ronald Reagan e Margareth Thatcher.

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Os democratas e cristãos consideram que a libertação destes povos, pela qual tanto pediu Nossa Senhora de Fátima, encerra o processo. Não é dos democratas, mais voltados para o mundo real do trabalho, no seu DNA, o sentimento de revanchismo, de vingança, de alimentar divisões entre famílias, povos e nações. Por isso, nada aconteceu aos verdugos da Alemanha comunista, dos países libertos e na própria antiga URSS, onde, por décadas, matou-se a torto e a direito pela vontade de Lênin, Stalin e a mente doentia de Béria, figuras em nada diferentes do monstro alemão e seus asseclas. Aliás, no que toca ao antissemitismo pela via da “solução final”, os comunistas precederam e superaram os nazistas na vergonhosa prática. Mas o mundo deixou estes crimes passar em branco, pela tolerância dos democratas e a pusilanimidade dos esquerdistas ditos não comunistas. Mas olhar para a frente sem ressentimentos é sempre positivo.

Derrubado o muro, veio a era da democracia. Depois da estabilidade econômica e do progresso – afinal a inflação não foi derrotada no Brasil apenas – com este fantástico crescimento do comércio mundial, puxado pela China, que se curvou ao capitalismo, infelizmente sem acabar com a ditadura cruel que sobrevive coberta por uma cortina de silêncio.

A África, no pós-guerra libertada, na verdade foi abandonada à própria sorte pelos antigos colonizadores. Exceto Portugal, que fez a entrega precipitada em função de uma tomada do poder, em Lisboa, por forças influenciadas por Moscou, que resultou na prolongada e cruel guerra civil em Angola. A libertação do continente deveria ter sido lenta, gradual e segura, para que não vivesse este drama de violência, corrupção, subnutrição e doenças. E, antes de abandonar estes países, é de se supor ético e moral investimento na educação, na saúde e na gestão, para que suas potencialidades econômicas fossem aproveitadas.

Na América Latina, o comunismo andou de mãos dadas com o ouro de Moscou. Depois, fascinado pelo ditador Fidel Castro, o mal não foi de todo cortado. Vivemos, aqui, o ressurgimento de trogloditas de esquerda, através de lideranças no estilo ético, moral e até estético de Zelaya, Morales, Chávez, Correa e a versão feminina tipo Barbie de Cristina Kirchner. Nosso presidente Lula não assumiu esta linha, mas, para alguns observadores, estaria a um passo, depois que permitiu que nossa embaixada em Honduras se tornasse escritório político de um presidente deposto pelo Judiciário e pelo Congresso de seu país, se devolvessem na calada da noite dois modestos atletas que fugiam de Cuba – e depois fugiram mesmo – ao mesmo tempo em que quer acobertar um terrorista assassino condenado numa democracia da União Europeia, como é a Itália.

O presidente Lula, que vive um bom e olímpico momento nacional e internacional, fruto de seu desempenho pessoal e dos bons ventos da economia mundial na direção do Brasil, faria bem se derrubasse o que significa o muro no Brasil. Enquadrar o MST e não apoiar suas teses que comprometem o agronegócio. Diminuir a carga fiscal, simplificando nossos impostos, confiando mais na informática – tipo CPMF – e menos na fiscalização passível de fraquezas humanas. Modernizar a legislação trabalhista, para estimular o emprego e não a formação de castas entre aqueles mais bem organizados e mais agressivos. Liberar para valer a entrada da livre empresa na infraestrutura, que não resiste a três anos de crescimento na base dos 5% previstos para o próximo ano. Afinal, o presidente defendeu as ZPEs, e elas não saíram do papel. O presidente quer ver Angra e Belo Monte em construção, e as licenças estão atrasadas na própria máquina oficial. O Judiciário prometeu terminar todos os processos anteriores a 2005, mas repousam nas gavetas dos tribunais pendências teoricamente resolvidas, mas que perduram décadas, por meio de recursos que agridem o direito.

Mas para isso deve confiar mais na sociedade que se manifesta nas “cartas aos leitores”, nos postos de trabalho, do que neste grupelho de pelegos modernos, esquerdistas ultrapassados e abonados, que só pensam em manter o poder que ocupam sem a contrapartida da competência.

 

Aristoteles Drummond é jornalista.

 

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