Por: Carlos Chagas

BRASÍLIA - Volta e meia ressurge a tese de que as Forças Armadas brasileiras perderiam em quinze minutos qualquer guerra convencional com grandes exércitos e que, por isso, são supérfluas e deveriam ser desmobilizadas, limitadas ou até extintas. Como alternativa, sustenta-se a mudança de sua destinação constitucional e sua transformação em instrumento da segurança interna.

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Trata-se de uma estultice. Melhor dizendo, de um raciocínio eivado de má-fé. Sustentar essa mudança constitui crime de lesa-pátria.

Porque as Forças Armadas brasileiras estão preparadas, sim senhor, para enfrentar e vencer qualquer tentativa de assalto ao território nacional, partindo-se da premissa de que nunca fizemos e jamais faremos guerra de conquista. É claro que não dispomos de meios eletrônicos moderníssimos, de mísseis aos milhares, arsenais atômicos, montes de submarinos nucleares, porta-aviões a dar com o pé, satélites de destruição a lazer ou, mesmo, equipamento futurista para a infantaria.

Mesmo assim, é bom prestar atenção na metamorfose que vai acontecendo na tropa nacional: nossos guerreiros vêm sendo cada vez mais treinados para transformar-se em guerrilheiros. E aqui desmente-se até pelo que vai acontecendo no planeta, a aleivosia de que as Forças Armadas brasileiras são inoperantes e sequer deveriam existir.

Exército, Marinha e Aeronáutica estão preparados para, no caso de hipotética invasão por parte de uma superpotência, por exemplo, na Amazônia, deixar que eles entrem em profusão, mas cuidando para que não saia nenhum, a não ser em sacos plásticos ou esquifes de luxo.

Os exemplos do Vietnã, primeiro, agora do Afeganistão e do Iraque estão aí mesmo. Unidades especializadas em guerra na selva, na caatinga, na savana, no cerrado, no pantanal, nas montanhas e nas praias vêm sendo cada vez mais preparadas entre nós.

A regra é de não entregar o ouro ao bandido, ou seja, ocultar o que já se fez e o que mais se fará dentro dessa estratégia, mas basta contar o número de brigadas, regimentos e batalhões nos últimos anos transferidos para áreas críticas e potencialmente mais expostas à cobiça internacional. Não é nos grandes centros ou mesmo nas cidades médias que se prepara a ação maior das Forças Armadas brasileiras. Ainda que em situações críticas possam colaborar com a segurança interna no combate ao crime organizado.

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