Folha de São Paulo

 SE TUDO correr como previsto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desembarca no próximo dia 23 em Brasília, onde se encontrará com o presidente Lula. A viagem estava marcada para o mês de maio, mas foi cancelada pouco antes da controvertida apuração eleitoral iraniana, que o reconduziu ao cargo.

Como se sabe, entre as ideias fixas de Ahmadinejad figuram a negação da existência do Holocausto e a intenção de suprimir do mapa o Estado judeu. Para tornar o quadro mais delicado, as investidas retóricas do presidente ocorrem em meio a suspeitas de que seu país prepara-se para construir uma bomba nuclear.

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O Brasil deve ser objetivo e pragmático nas relações econômicas com o país persa, nação dependente da produção petrolífera, que importa produtos os mais variados. De cada US$ 100 transacionados com o Irã no ano passado, US$ 99 corresponderam a exportações brasileiras.

O incremento dessas relações não deve servir, no entanto, de justificativa para o presidente Lula desconversar diante das posições belicosas e delirantes de Ahmadinejad. A sociedade brasileira se funda na tolerância e aprendeu a valorizar a democracia, o que precisa ser levado em conta pelos governantes.

Não se trata de criar atmosfera de confronto com o visitante, o que seria inapropriado. Mas, nas oportunidades e nos termos adequados, críticas aos disparates defendidos pelo convidado não devem deixar de ser feitas.

Os conselheiros do presidente Lula para assuntos externos têm se revelado exageradamente generosos com personagens sombrios da política internacional. Basta lembrar que recentemente, na Venezuela, Lula confraternizou com ditadores homicidas do continente africano, como Robert Mugabe, do Zimbábue, e Muammar Gaddafi, da Líbia

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