Por  Vania L Cintra
"Antigos militantes da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que foi comandada por Carlos Marighella, lançaram hoje a campanha para dar seu nome à Praça Marechal Floriano, no centro do Rio, tradicionalmente conhecida como Cinelândia."
Não encontrei a notícia entre os destaques da Resenha do CCOMSEx, que sempre leio. Mas ela estava no Estadão, que, entre outros, também leio, no dia 04 de novembro. Não mereceu muita atenção, por certo -- com exceção do alarde feito no sítio "a verdade sufocada". E, de verdade, não sei por que ela me escandaliza. O Brasil hoje é um outro Brasil. E são outros os brasileiros. Os brasileiros de hoje são cosmopolitas, preocupam-se com outras coisas, as da "América Latina", as do mundo. Por aqui, o que passou, já passou. E tanto faz como tanto fez. E nisso tudo que já passou, quem teria sido o Marechal Floriano? Alguém dos velhos tempos, tempos caducos.

Texto completo Não freqüentou o Cine Paissandu nem chegou a, entre um gole e outro, querer discutir com alguém qual poderia ser a "mensagem" dos diálogos e das imagens que lhe chegavam ao conhecimento... Nem  carioca, nem paulista, nem mineiro ele era. Que poderia, então, ter feito por nós Floriano Peixoto? Foi apenas um "golpista", um "ditador", um "gorila"! Prendeu e arrebentou. Aproveitando maliciosamente ter encontrado o País dividido em lutas internas, deixando-se matar por ambições separatistas estimuladas por palavras absolutamente infelizes de Rui Barbosa que emprestavam soberania à politicagem dos "coronéis" provincianos, com sérias divisões inclusive nas FFAA, soube, com "mão de ferro", entregar-nos, ao fim de sua vida, sua saúde em farrapos, a unidade nacional firmemente recosturada pelo Exército, que era um outro Exército -- entregou-nos uma realidade política na qual quem bem plantasse bem colheria, pois tudo bem daria. 
Quem plantou? Que plantou? Que foi o que deu? Deu isso aí?
Pois maldito seja Floriano! Foi ninguém. Se nada do que Floriano fez acontecer valeu um figo podre, se  unidade territorial e autonomia política, poder e soberania nacionais representam coisa nenhuma para todo e qualquer brasileiro bem ou mal nascido que possua pelo menos dois neurônios que funcionem ao mesmo tempo sem produzir um curto-circuito, por que teria ele seu nome em praça pública? 
Não sei por que há o que ainda me escandalize. Mas sei que, se Floriano nos tivesse sido lembrado nesse nosso último século, por certo lembrada seria a luta heróica necessária a que nossa Bandeira pudesse tremular, após a proclamação da República, em todo o território herdado do Império. E lhe seríamos gratos. Se Floriano fosse lembrado com o respeito que lhe e a nós mesmos é devido, muitos saberiam e ensinariam, geração após geração, a nossa história real, muitos poderiam hoje respeitá-la e ninguém se atreveria a tentar substituí-la por uma dissertação rudimentar que um grupo de ignorantes fanáticos hoje tenta fazer que conste como verdade, exaltando como heróis combativos camaradas revolucionários de esquerda que não conhecem fronteiras territoriais ou limites morais.  Sei também que nossa História real nunca mereceu atenção. Assim, o Brasil de fato pôde ser considerado encruado por mais de quatrocentos anos, para que, finalmente, um estranho Brasil viesse à luz, pronto, do nada ou, como Minerva, da cabeça dos que sempre estiveram atentos a nos oferecer seu chope, seu suor e sua muita saliva.
Sendo tudo o tudo que hoje é, enterremos de vez o passado, para o que algumas medidas de caráter cultural precisam ser adotadas. Elas serão úteis a que confusões não mais se façam. A Avenida Rio Branco poderá desde já chamar-se Avenida Amorim, ou M.A.Garcia, que soa mais hispânico. Não pode  porque esses estão vivos? Ora, Dona Lindu já não é nome de Parque? Nesses novos tempos, que as palmeiras imperiais do Jardim Botânico sejam derrubadas por tratores e substituídas por pés de milho; que saibamos, de uma vez por todas, que Pão de Açúcar, cartão postal carioca e nacional, assim se chama por eufemismo -- a pedra evoca, delícia aos olhos, um pão recoberto de pó branco que parece ser açúcar mas não é; que a técnica que fez possível o túnel de Bangu 1 seja reconhecida como mais avançada e mais adequada que a que abriu o Rebouças, e incluída no vestibular para as Faculdades de Engenharia na fase eliminatória; que o Rebouças passe a chamar-se Túnel Manuel Zelaya; que a Rua Voluntários da Pátria se chame agora Rua Yiyonggjun Jinxingqu; que a Matriz de São Cosme e São Damião, que também eram Soldados, seja um templo para a devoção a Marx e Engels que eram da paz; que a imagem de São Sebastião, outro Soldado, seja substituída pela da virgem mártir Dorothy; que a Avenida Nossa Senhora de Copacabana passe a ter o nome da avó de Mahmoud Ahmadinejad, bem-aventurada e por certo muito honrada; que Santa Teresa ganhe um sobrenome digno, que só poderá ser Goulart... Há lugares públicos para que todos os heróis já mortos e os que, vivos e bem vivos,  põem-se na fila de espera, sejam homenageados.  Extrapolando os limites da cidade maravilhosa, que a Ponte Rio-Niterói perca o nome de Costa e Silva e passe a se chamar Ponte Simón Bolivar, que a Dutra se chame Via Che, e ficará até mais curta, que Petrópolis seja conhecida por Lulópolis, Teresópolis por Marinópolis...  Por que não e não por quê? Fernandópolis já existe, e importa como soa, não quem foi quem.
São novos esses nossos tempos. Celebremos. E essa gente toda vale ouro. Merece ter seus nomes nas placas que hoje evocam figuras tão chochas, poxa (ou poxas, para rimar). 
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