CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A causa do apagão ocorrido entre a noite de ontem e a madrugada desta quarta-feiram provavelmente foi técnica e não deverá ser identificada rapidamente, aponta o diretor executivo da Abrate (Associação Brasileiras das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica), César de Barros.

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Para ele, o fato de as torres de transmissão estarem intactas indica que houve alguma falha no equipamento de interligação entre a usina de Itaipu e o SIN (Sistema Interligado Nacional), que não foi influenciada por questões climáticas.

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"Se houvesse dano material na linha, seria mais simples entender as causas. Mas do jeito que se apresenta, tem que ser feita uma análise completa. Isso é demorado, leva de dois dias a até um mês", afirmou à Folha Online.

Barros compara a investigação, nesse caso, à busca pelas causas de uma queda de avião. Ele explicou que é preciso analisar a caixa-preta. Em relação às linhas, frisou, são várias caixas-pretas.

Sobre a confiabilidade do sistema, Barros diz não ter dúvidas de que, apesar de "algumas mazelas", a opção pela interligação é segura. Ele lembra que apagões como o de ontem fatalmente ocorrerão mais vezes, em qualquer momento, já que o sistema está sujeito a falhas.

A construção de sistemas paralelos, que seriam ligados em casos de falhas, seria desnecessária e encareceria as contas de luz dos brasileiros, avalia o representante das empresas transmissoras.

"O preço a se pagar seria muito alto para um benefício pequeno", comentou.

Barros destaca que ter o sistema interligado é a melhor opção. A construção de sistemas isolados tornaria custos mais caros, e reduziria a flexibilidade em casos de problemas de abastecimento, como geralmente ocorre em secas na região Sul, quando se transfere maior volume de energia para aquela área do país.

"O melhor a se fazer é reforçar as linhas, como Furnas fez recentemente naquela região. E o fato de elas não terem sido afetadas pelas chuvas comprova isso", completou.

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