Há duas semanas, Dilma garantiu que não haveria apagão no Brasil - O Globo 

RIO - Duas semanas antes de um blecaute atingir grande parte do país na noite de terça-feira , a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, havia garantido que não haveria apagão elétrico no Brasil. Em declaração ao programa da Radiobrás "Bom dia, Ministro", Dilma afirmou que não havia esse risco porque o governo voltou a fazer planejamento, prevendo a necessidade de mais fornecimento de energia no país e realizando investimentos para atender essa demanda. Em março deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou não haveria mais "risco de apagão em hipótese alguma no Brasil".
 

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- Nós também temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. É que nós hoje voltamos a fazer planejamento. Então, nós olhamos qual é a necessidade que o Brasil tem de energia nos próximos cinco anos. Ao olharmos isso, providenciamos as usinas que são necessárias para o Brasil. Se o país crescer a quatro, se crescer a cinco, se crescer a seis por cento ao ano terá essas usinas disponibilizadas; é assim que funciona - disse em entrevista no dia 29 de outubro. No dia 23 de março, ao comentar a inauguração do terminal de gás natural liquefeito, na Baía de Guanabara, Rio, Lula garantiu que o suprimento de energia estaria assegurado para todo o país. Na ocasião, o presidente explicou que o terminal permite  importar gás natural para uso em termelétricas nos momentos em que faltar água nos reservatórios das hidrelétricas. " Não corremos risco de apagão em hipótese alguma no Brasil " - (O terminal de gás natural liquefeito) Representa mais energia para o Brasil e representa nós podermos dizer ao povo brasileiro que nós não corremos risco de apagão em hipótese alguma no Brasil - disse Lula. No entanto, o que se observou na noite de terça-feira e na madrugada desta quarta é que, mesmo com esse planejamento e água suficiente nos reservatórios, como afirmaram a ministra e o presidente, não foi possível evitar que uma pane em três linhas de transmissão de energia - de acordo com o governo - deixasse quatro estados completamente às escuras (São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Outros 14 foram afetados parcialmente (Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte). O blecaute revelou que, como o sistema brasileiro de energia é todo interligado, qualquer falha em uma linha localizada pode provocar um apagão generalizado, num efeito dominó. Como explica a colunista Míriam Leitão, a interligação do sistema começou a ser feita pelos militares e depois do apagão de 2001 - quando sobrou água em algumas hidrelétricas do país, enquanto faltou em outras - o Brasil reforçou essa ligação . A ideia é que se faltar energia num lugar se possa trazer de outro imediatamente. Mas na crise da última noite, o sistema interligado mostrou-se vulnerável a falhas em linhas localizadas.
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