Por Josias de souza -http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br

Desde o ano passado, Lula despacha numa dependência do Banco do Brasil. Deixou o Planalto sob a alegação de que o prédio precisava de reformas.

 A notícia não saiu na imprensa, mas a verdadeira causa da mudança é outra.Lula  abandonou o prédio de Niemeyer para desviar a atenção.

Atrás dos tapumes da sede da Presidência desenvolve-se um projeto ultra-secreto. No antigo gabinete de Lula, improvisou-se um laboratório.

A coisa começara a ser arquitetada em janeiro de 2007. Ainda se ouviam ao fundo os estampidos dos fogos da reeleição de Lula

O presidente mal triunfara nas urnas e já transbordava inquietação. Dali a quatro anos, seria forçado a voltar para São Bernardo.

O que fazer para assegurar a continuidade de sua gestão depois de 2010? Em segredo, Lula convocou a Brasília um grupo de químicos renomados.

Reuniu-se com eles de madrugada, no Alvorada. Intimou-os a criar um sucessor. Nas suas ruminações, Lula embrava-se de Duda Mendonça. 

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Vinha-lhe à mente a essência da fórmula de seu criador. Obrigara-o a adoçar o discurso, renegar o passado, aparar a barba e vestir-se com apuro.

Lula disse aos químicos: “O nosso presidenciável, para ser ideal, precisa ser doce como o Aécio. Mas não tão melífluo”.

“É recomendável que tenha uma pitada do tecnicismo do Serra. Mas sem aquele ar de arrogância”.

Depois de alguma hesitação, os químicos aceitaram a encomenda de Lula. Foram à prancheta. Depois, requisitaram um laboratório.

 Daí a necessidade de esvaziar o Planalto. Para não chamar a atenção, deu-se ao plano secreto do sucessor perfeito uma sigla manjada: PAC.

 

Significa “Projeto-Água-de-Colônia”. Uma alusão à loção pós-barba que os químicos utilizaram como primeiro reagente, na fase inicial das pesquisas.

 

Despejaram a loção num pote mal lavado de doce. Dissolveram na mistura uma poção de estatísticas e uma foto de jornal em que Aécio e Serra apareciam juntos.

 

Nos primeiros testes de laboratório, o sucessor ideal soou estranho. A voz era de mulher. Efeito dos restos de doce  no pote.

 

Mas o discurso era duro, áspero, autoritário, masculino demais. A dose de água-de-colônia revelara-se excessiva. De resto, recitava números em profusão.

 

Os químicos haviam previsto o fim das pesquisas para meados de 2010. MasLula pediu pressa. Queria testar o protótipo em condições normais de uso.

 

A mistura foi refeita. Os mesmos ingredientes. Porém, em dosagens recalibradas. Com o experimento pelo meio,Lula decidiu exibir a sucessora ideal em público.

 

Sim, a essa altura já se havia concluído que o candidato ideal era uma mulher:Dilma Rousseff. Para efeitos eleitorais, apenas  Dilma

 

 Lula levou-a à vitrine. Exibiu-a em pa©mícios. Viajou com ela para o estrangeiro. Tudo isso sem desativar o laboratório do Planalto.

 

No geral, a sucessora ideal revelou-se adequada. A rispidez inicial foi sendo gradativamente suavizada.

 

Aos poucos, a sucessora ideal foi substituindo Lula nas reuniões com os partidos. Já conseguia conversar com o PMDB sem fechar as narinas.

 

Em público, parecia dotada de dinamismo. Discorria sobre tudo. Trazia na ponta da língua soluções para qualquer tipo de problema.

 

Havia, porém, um último problema a resolver. Em eleições simuladas, chamadas de pesquisas de opinião, a sucessora ideal ainda perdia para Serra.

 

Na última terça-feira, os químicos foram a Lula. Pediram que lhes cedesse três fios de barba. Para quê?, o presidente quis saber.

 

Falta um quê de Lula na mistura, eles responderam. O presidente aquiesceu. E os químicos foram, à noite, para o laboratório secreto do Planalto.

 

No instante em que dissolviam os fios de barba, faltou energia elétrica. Em meio ao breu, um dos químicos esbarrou no pote de doce, que foi ao chão.

 

Os geradores do Planalto foram acionados. Os químicos recolheram a mistura com uma colherinha de café.

 

Na quarta-feira, por precaução, a sucessora ideal foi mantida longe dos holofotes. Os repórteres estranharam o sumiço.

 

Na quinta, a sucessora ideal reapareceu. Instada a comentar o apagão, disse coisas desconexas. O discurso, antes impecável, confundiu-se com o do Edison Lobão.

 

Súbito, a sucessora ideal pôs-se a repetir: Tempestade, ventos, raios. Caso encerrado. Racionamento é barbeiragem. Mas os blecautes podem se repetir.

 

Os químicos receiam que a mistura pode ter desandado. Por ora, não se sabe se a sucessora ideal foi mesmo obtida ou se tudo não passou uma ilusão genética.

 

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