Margrit Schmidt
Jornal de Brasília
 (...)  No próximo dia 23, um delinquente internacional chamado Mahmaoud Ahmadinejad chega ao Brasil. Ele é presidente do Irã e expressão da ala dura do clero xiita, que desenvolve um programa nuclerar secreto. O Irã quer a bomba. Sem ela, o país já financia dois mov imentos terroristas: o Hezbollah, que, na prática, governa o Líbano; e o Hamas, que tem o governo da Faixa de Gaza.
Sem a bomba, o Irã já ameaça varrer Israel do mapa. Ahmadinejad, como se sabe, nega o Holocausto judeu e diz que tudo não passou de uma grande conspiração. Isso já seria o bastante para mantê-lo bem longe. Não para o Itamaraty de Celso Amorim. Não para o governo Lula.
Ahmadinejad chega na segunda-feira, seis dias depois de a justiça do Irã, controlada com mão de ferro pela ala radical que ele representa, ter condenado cinco pessoas à morte e outras 81 a penas que variam de seis meses a 15 anos de prisão. Seu crime: participaram de protestos contra a fraude nas eleições - fraude que foi reconhecida pelos aiatolás do Conselho da Revolução Islâmica. Além de recebê-lo com honrarias, Lula ainda afirma não ter visto nada demais, comparando os protestos da oposição a uma torcida contrariada, cujo time tivesse sido derrotado.
Só eles não veem
Não há pragmatismo que possa argumentar que tudo isso diz respeito à política interna do Irã. Desse  pragmatismo o Brasil deve se distanciar. Esse é o pragmatismo que leva à desonra e à guerra. Como condescender com quem nega o Holocausto? Com quem financia o terrorismo? Com um governo que condena pessoas à morte por delito de opinião? O presidente brasileiro acha que defender a paz significa  conceder o direito a todos do uso pacífico da energia nuclear. Cria corvos, que te furarão os olhos, como ensina o ditado espanhol.
Já os presidentes da Câmara e do Senado, Michel Temer e José Sarney, vão recebê-lo na segunda-feira no Salão Nobre do Congresso, numa cerimônia sem discursos - a mais discreta e silenciosa possável se os protestos que certamente acontecerão do lado de fora deixarem. Shimon Peres foi recebido com discursos em sua homenagem em sessão especial do Congresso na semana passada - o que significa ter sido recebido com todas as honras normalmente reservadas a um chefe de Estado. Ali foi a visita da Paz, agora a visita será do personagem que personifica a guerra.
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