Por Luiz Carlos Azedo  Com Guilherme Queiroz - Correio Braziliense

 Uma delegação formada pelos deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Emiliano José (PT-BA), Rui Pauletti (PSDB-RS) e Cláudio Cajardo (DEM-BA) fechou ontem um périplo por Venezuela, Colômbia e Equador. Não foi recebida por Hugo Chávez, mas conversou com os presidentes Álvaro Uribe, colombiano, e Rafael Correa, equatoriano, além de chanceleres, ministros da Defesa e chefes do Legislativo. Os três países andam em pé de guerra. O centro do problema não são as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, mas a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) nas fronteiras com a Venezuela e o Equador.

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Segundo Jungmann, coordenador do grupo, devido à grande desconfiança existente em relação ao acordo militar dos Estados Unidos com a Colômbia, qualquer acerto entre os três países depende da intervenção do Brasil no processo. Ou melhor, da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações. Não apenas porque sua liderança é reconhecida por todos. O Brasil é o alicerce da integração econômica do subcontinente, via grandes empresas brasileiras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), “hoje a maior fonte de financiamento do capitalismo sul-americano”.

GUERRILHA

O Brasil ficou de fora da confusão porque não permitiu nem permite que as Farcs operem na região da  Cabeça do Cachorro, extremidade Noroeste do nosso território, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Um ataque dos guerrilheiros das Farcs a um antigo posto de fronteira do Exército brasileiro, no Rio Traíra, em 1991, no qual foram mortos três soldados, levou o governo a expandir a presença militar na região. Foram criados vários pelotões de fronteira, a partir de São Gabriel da Cachoeira, a 1.146km de Manaus, Rio Negro acima. E o troco veio 11 anos depois. Em 26 de fevereiro de 2002, o Exército matou cinco guerrilheiros que navegavam pelo Rio Japurá.

SELVA

São Gabriel, com 22 etnias, é a maior cidade indígena do país. Jovens tucanos, desanas, baniuas, curipacos, cubeus, ianomâmis, tarianos, hupdas e de outras tribos são recrutados e treinados pelo Exército, para servir nos pelotões da fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Vigiam os rios Uaupés, Tiquié, Içana, Cauaburi, Pari-Cachoeira, Iauaretê, Querari, Tunuí-Cachoeira, São Joaquim, Maturacá e  Cucuí. Sob o comando de jovens tenentes, em plena selva, toda manhã hasteiam a bandeira do Brasil e cantam o Hino Nacional.

CRISE

Uribe disse a Jungmann que as Farc sobrevivem por causa dos santuários nas fronteiras da Venezuela e do Equador. E que a ajuda dos Estados Unidos salvou a Colômbia das mãos do narcotráfico. Desgastado pela falta de energia e por uma crise de abastecimento, Chávez explora a tensão na fronteira e a presença norte-americana para unir suas forças armadas e manter o apoio popular. Correa, porém, inicia uma lenta aproximação com a Colômbia e tenta se livrar da infiltração das Farcs, cujas bases no Equador foram destruídas por uma operação militar colombiana que provocou o rompimento entre os dois países.

 

 

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