Por Tiago Pariz - Correio Braziliense - Questão agrária - Base aliada fica com os principais cargos da CPI do MST e trabalhos já são postergados.
O governo conseguiu impor o ritmo que lhe convém à CPI mista do MST e empurrou para o ano que vem os trabalhos. O esforço, agora, se concentra em não carimbá-la como uma comissão de inquérito parlamentar específica contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e deixar o embate bem morno, quase frio, sem capacidade de produzir nenhum fato relevante em ano eleitoral. Depois de diversos adiamentos, os parlamentares instalaram a CPI e elegeram o senador Almeida Lima (PMDB-SE) como presidente e o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) como relator.
 
Texto completo Ao deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) coube o papel protocolar e burocrático de vice-presidente. E ontem foi só isso, apesar dos protestos de parlamentares da oposição. Não houve apresentação de plano de trabalho, pedido de audiência e nem requisição de informações sobre o objeto do inquérito: os repasses federais a entidades ligadas à reforma agrária.
A próxima reunião da CPI está marcada para quarta-feira, quando Tatto deverá apresentar seu plano básico de voo. Sete dias depois, o Congresso entra em recesso e, como os aliados não querem investigação em cima da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não há o menor interesse em trabalhar nas férias.
Além de relegar a CPI ao segundo plano das prioridades, como tem sido praxe no
 
 Deputado
 Onyx Lorenzoni
governo Lula, os aliados do Palácio do Planalto começaram o primeiro dia poupando o MST de qualquer ataque. “Não é uma CPI do MST, mas uma comissão para investigar contratos agrários entre entidades”, disse o relator Jilmar Tatto.
O governo já estabeleceu como estratégia colocar a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sempre que a oposição tentar focar a investigação nos sem-terra. “Quando a oposição se deu conta da CPI que eles pediram, era tarde demais para recuar. Viram que não é possível investigar só o MST”, alfinetou Tatto. A deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) também fez coro para retirar o foco dos sem-terra. “Não é uma CPI para investigar o MST”, sustentou. Reforma agrária
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) criticou a postura do governo. “Nós vamos nos entrincheirar nessa CPI para fazer uma investigação séria”, disse. O deputado Onyx Lorenzoni adotou um tom mais conciliador. “Com diálogo e parlamentares que querem responder aos anseios da população, a gente
  
                Cheiro de Pizza
chega lá. Queremos revisar os 30 anos da reforma agrária no Brasil, ninguém tem interesse em acobertar ou esconder o que quer que seja”, disse.
O MST é um movimento sem representação oficial. Por isso, para receber dinheiro do governo federal, os repasses são feitos para entidades como a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária. O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou investigações que resultaram no bloqueio de contas da Anca, justamente por injetar ilegalmente a verba federal nos sem-terra. 
  
 

 

Comments powered by CComment

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar