Cel Erasmo Dias
 Por General Torres de Melo            
 
Vim conhecer o ERASMO como major e como aluno da ECEMEX. Durante três anos convivemos juntos e ele sempre brilhante. Além da Escola ainda fazia a Faculdade de Economia. Foi uma das fulgurantes  inteligências que conheci na minha vida. Passam-se os anos, eu no nordeste e ele
em São Paulo.
            Para quem não sabe, Erasmo era filho de uma professora e homem pobre. Como cadete da Escola Militar, ao voltar de férias no fim do ano, muitas vezes, foi ser estivador no Porto de Santos, para ajudar no orçamento familiar. Era um homem forte física e moral. Falava alto e não sabia esconder o que sentia. Colocava tudo pra fora e a língua  o fez parecer um homem violento, mas poucos homens com o coração de Erasmo. Não podia ver ninguém sofrer que logo lhe vinham às lágrimas. 

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  Sei que a esquerda o odeia. Era um democrata convicto. Acreditava nos valores sagrados do homem. Lutava pela  VERDADE DIVINA. Combatia a esquerda por saber que pregava o ódio, a vindita, a vingança, a mentira e enganava a juventude com promessas falsas.              
A sua grandeza de espírito é tal que sempre me deixou fora das causas políticas, ressalvando a minha vida militar. Mesmo com o ódio que os falsos comunistas brasileiros lhe dedicaram nunca tiveram a coragem de acusá-lo de torturador, ladrão ou outro termo menos nobre. 
            Guardo do Erasmo a sua nobreza. Os seus rompantes e o seu idealismo.   
      
    Guardo do Erasmo as lágrimas que derramou quando corremos para uma marginal, onde um assalto fracassado acabou com mortes de bandidos e assaltantes. Quando cheguei o sangue corria e de longe vi o Erasmo. Aproximamo-nos e fomos andando para longe da cena dantesca. Os policiais, civis e militares conversavam, nós de longe, observávamos. Erasmo vira-se para mim e diz, com as lágrimas correndo pelo rosto: “Torres., quando não chorarmos diante de um quadro deste, como  eles, temos que ir embora, pois estamos perdendo o sentimento de
  

 General Torres de Melo em visita ao Lar  dos
 Idosos , administrado por ele , onde são man-
 tidos 250 idosos. O general também preside
 o Grupo Guararapes

solidariedade humana”. Choramos juntos enquanto outros riam.             
Guardo do Erasmo a grandeza de sua atitude e sua pronta ação. Logo que assumi o comando da Polícia Militar de São Paulo minha primeira preocupação foi visitar o Batalhão que tomava conta de menores. Éramos responsáveis pela desgraça das muralhas. Tinha lido um livro de uma socióloga paulista que afirmava que estas crianças presas eram roídas por ratos. Nunca poderia imaginar que um dia fosse presenciar um quadro deste. Fui e vi. Vi e me revoltei. Vi a desgraça de uma sociedade desumana. Telefonei e contei o que tinha visto para o Erasmo. Ele não acreditou. Foi lá e revoltado saiu feito um louco como parecia que era. Agiu. Comprou instrumentos de música, roupa e gritou e as coisas foram mudando para estas crianças. 
      Este é o verdadeiro Erasmo e dele lembro quando fazia todos trabalharem para descobrir um crime cometido, uma injustiça praticada ou qualquer ato que pudesse parecer um ato desumano.           
   ERASMO DIAS. Talvez daquela turma só eu ou mais uns dois ainda estejam vivos. Eu estou de pé, aqui do Ceará,  fazendo-lhe continência. Irei repetir as palavras santas do CENTURIÃO, que vendo o seu fiel soldado partir para o novo mundo gritou de desespero: “ADEUS, VIDA CALOROSA.  SAUDAÇÕES, FRIA ETERNIDADE. QUE OS DEUSES O PROTEJAM. FOI BOM SERVIR COM UM HOMEM COMO O SENHOR”.  ERASMO  DIAS: IREMOS NOS ENCONTRAR NA ETERNIDADE E O ESTADO DE SÃO PAULO, UM DIA, LHE FARÁ JUSTIÇA.  

OBS: OS 2.332 COMPONENTES DO GRUPO GUARARAPES aprovam o artigo de seu coordenador e despendem-se do SOLDADO DA DEMOCRACIA

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