População deitada na rua aguardando atendi-
mento  médico

O comandante do Exército, Enzo Peri, disse nesta quarta-feira que já estão confirmadas 11 mortes, oito desaparecidos e nove feridos. Ele destacou, porém, que esses números mudam a todo momento. Peri faz parte da missão que embarca hoje para o Haiti.
Segundo ele, dois dos feridos estão em estado grave e foram transferidos para a República Dominicana. Às 13h, o centro de comunicação do Exército divulga os nomes dos 11 mortos, todos eles da Força de Paz da ONU. As famílias dos militares já estão sendo avisadas pelas Forças Armadas e o reconhecimento dos corpos está sendo feito pelo Exército. Os corpos serão removidos para o Brasil, porque seria mais complicado levar os parentes das vítimas ao Haiti, onde não há estrutura no momento.
Peri informou ainda que a base brasileira em Porto Príncipe não foi atingida e as vítimas estavam em outros locais no momento do terremoto.
O militar informou que Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi soterrada.

Texto completo

 

O sobrinho da médica, senador Flávio Arns (PSDB-PR), viaja para o Haiti junto com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o secretário executivo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Rogério Sottili.
A mulher do embaixador brasileiro em Porto Príncipe, Igor Kipman, Roseana Kipman, foi a pessoa que encontrou o corpo de Zilda e de um dos militares que a acompanhava.
Médica pediatra e sanitarista, Zilda nasceu no dia 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha (SC). Viúva, era mãe de cinco filhos - Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Silvia. Ela começou a vida profissional como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba (PR).
A história da Pastoral da Criança começou em 1982, numa reunião sobre a paz mundial, da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra. O então diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para Infância e Adolescência (Unicef), James Grant, disse ao irmão de Zilda, d. Paulo Evaristo Arns, na época cardeal de São Paulo, de que a Igreja poderia ajudar a salvar a vida de muitas crianças, que morriam de doenças de fácil prevenção, como a desidratação causada pela diarréia.
No retorno ao Brasil, o irmão a perguntou se ela aceitaria desenvolver um projeto deste nível e ela aceitou. Na época, a CNBB indicou d. Geraldo Majella Agnelo, que na época era arcebispo de Londrina (PR), para acompanhar o trabalho, e eles decidiram testar o modelo em sua diocese.
Veja o nome dos mortos e feridos já divulgados:
O Exército divulgou os nomes de quatro vítimas: Bruno Ribeiro Mário (1º tenente), Davi Ramos de Lima (2º sargento), Antônio José Anacleto (soldado) e Tiago Anaya Detimermani (soldado), todos do 5º batalhão de Infantaria Leve, com sede em Lorena (SP). Ficaram feridos o tenente-coronel Alexandre José Santos, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, de Boa Vista (RR), com escoriações, o capitão Renan Rodrigues de Oliveira, do 6º Batalhão de Infantaria Leve, de Caçapava (SP), com fratura de úmero e fêmur, o 3º sargento Danilo do Nascimento de Oliveira, do 28º Batalhão de Infantaria Leve, de Campinas (SP), com escoriações, o cabo Eugênio Pesaresi Neto, do 28º Batalhão de Infantaria Leve, de Campinas (SP), com escoriações, e o soldado Welinton soares Magalhães, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, com fratura no nariz e em uma clavícula.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. No entanto, devido à precariedade dos serviços básicos do país, ainda não há estimativas sobre o número de vítimas fatais nem de feridos. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.
O ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para
  
 Zilda Arns , médica pediatra , fundadora e coorde-
 nadora Internacional da Pastoral da Criança
ajudar a reconstruir o Haiti após o terremoto que devastou o país nesta terça-feira. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 14 t de alimentos para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas. A prioridade será o envio de água e de alimentos.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

Portal Terra com informações da Agência Brasil

Comments powered by CComment