18/01 - Pela editoria do site: www.averdadesufocada.com
VPR: as"quedas" do primeiro trimestre  de 1969 e a fusão com o COLINA
Expurgada daqueles que condenavam o militarismo inconsequente, a VPR iniciou o ano de 1969 com dois assaltos em São Paulo:
-ao Banco Itaú-América, na Rua Jumana, onde levaram cerca de 35 milhões de cruzeiros; e
- ao Banco Aliança do Rio de Janeiro, da Rua Vergueiro, onde foram roubados 20 milhões de cruzeiros.
Mas foi o assalto ao 4º Regimento de Infantaria que desestruturou a VPR, em consequência das prisões ocorridas em 23 de janeiro, em Itapecerica da Serra. Os depoimentos, particularmente os de Pedro Lobo de Oliveira e Oswaldo Antonio dos Santos, proporcionaram, alguns dias depois, as prisões de Dulce de Souza Maia, José Ibrahim, Roque Aparecido da Silva e João Leonardo da Silva Rocha.

 


 

Em 30 de janeiro, foram presos Otacilio Pereira da Silva e os irmãos Nelson e Pedro Chaves dos Santos, na Fazenda Ariranha, em Paranaiba, no Mato Grosso, local em que a VPR fazia treinamento de guerrilhas. Após as expulsões de dezembro de 1968 e as prisões de janeiro de 1969, dos seis elementos que compunham o Comando Nacional (CN) da VPR restavam três: Waldir Carlos Sarapu, Onofre Pinto e Diógenes José Carvalho de Oliveira.
.Em 11 de fevereiro, em tiroteio na gráfica Urupês, morria Hamilton Fernando Cunha· ("Escoteiro"), militante da ALN, e era ferido José Ronaldo Tavares de Lira e·Silva, da VPR, numa açao em que também foi baleado um policial.
Em 26 de fevereiro, no mesmo dia em que a VPR assaltava o Banco da América, da Rua do Orfanato, levando 102 milhões de cruzeiros, a policia chegou. a um sitio em Cotia, que servia como "aparelho" da organização, denunciado por  Otacílio Pereira da Silva. Seus ocupantes, o casal de militantes Jovelina de Jesus Pereira e Joaquim Gonçalves dos Santos, reagiram à prisão, sendo Joaquim  morto na ocasião.
Dois dias depois, a prisão e.as declarações de Aristenes Nogueira de Almeida, propiciaram que a polícia prendesse, em 2 de março, na Praça da Árvore, em Vila Mariana, dois membros do Comando Nacional - CN -, Onofre Pinto e Diógenes José Carvalho de Oliveira, além de Roberto Cardoso Ferraz do Amaral, Isaias do Vale Almada- marido da cantora Marília Medaglia -, Armando Augusto Vargas Dias, militante do Rio Grande do Sul, e o advogado Antonio Expedito Carvalho Pereira.
As prisões de cerca de 30 militantes, entre os quais os três "militaristas" do CN, e a descoberta de mais de uma dezena de "aparelhos" foi um preço muito caro para.o relativo sucesso tático que a VPR alcançou com o assalto ao 4º RI.
Desestruturada, a VPR organizou um congresso, em abril de 1969, numa casa em Mongaguá, cidade do litoral paulista. Compareceram a esse congresso: Carlos Lamarca, Antônio Roberto Espinosa, Chizuo Ozava ( Mário Japa), Fernando Carlos Mesquita Sampaio Filho e Cláudio de Souza Ribeiro- estes cinco eleitos para o Comando Nacional - CN -, e mais Waldir carlos Sarapu, Darcy Rodrigues, Eduardo Leite - Bacuri -, José Raimundo da Costa, José Campos Barreto,  Roberto das Chagas e Silva, Ana Matilde Tenório da Mota, Celso Lungaretti, José Claudio Telles Cubas e sua mãe Maria Joana Telles Cubas.
No Congresso o grupo de Celso Lungaretti oficializou a sua incorporaçao a VPR, e, em face das "quedas" de janeiro, fevereiro e março, o Setor Logistico foi reformulado, criando-se três Grupos Táticos Armados (GTA), que seriam, doravante , os responsáveis pela execução das .ações armadas. Ficou decidido não mais haver a fusão com a ALN, cujas relações estavam estremecidas desde o roubo das armas do 4º RI, e intensificar a aproximação com o COLINA, para uma próxima fusão.
A partir desse congresso, a VPR reiniciou suas ações armadas:
- assalto a um banco na Rua Duílio, na Lapa./SP .
- em 9 de maio  realizou o assalto simultâneo aos Bancos Federal, Itaú,Sul -Americano e Mercantil de São Paulo, este na Rua Piratininga, na Mooca,SP , cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado. Nesta ação o guarda-civil Orlando Pinto da Silva foi morto, com dois tiros - um  na nuca e o outro na testa -, por Carlos Lamarca, que se encontrava escondido atrás de uma banca de ,jornais. Na retirada do grupo, Lamarca disparou uma rajada de metralhadora para o ar, como a marcar seu primeiro assalto a banco e sua primeira  morte.
- em 8 de junho, ainda na capital paulista, a VPR assaltou o Hospital Santa Lúcia, na Alameda Ribeirão Preto, levando grande quantidade de equipamento médico.
- no dia 13, foi a vez da agência da Avenida Jabaquara do União de Bancos Brasileiros, com·o roubo de 39 milhóes de cruzeiros.
Reconhecido por populares, foi preso no interior de um cinema, em 28 de junho, o ex-soldado do 4º RI, Carlos Roberto Zanirato. Na manhã do dia seguinte, saindo em diIigências para apontar militantes e "apareIhos"da VPR, Zanirato suicidou -se, atirando-se embaixo das rodas de um ônibus, na Avenida Celso Garcia. De qualquer modo, suas primeiras declarações possibilitaram à polícia chegara a dois" aparelhos", onde foram encontrados documentos e armas da organização: um, na Rua Itaqueri, na  Moóca, onde foi preso, em 29 de junho, Gilson Theodoro de Olivelra, e o outro, na Rua Bonsucesso, no·bairro Belém, em 2 de julho, onde residiam José Araújo de Nóbrega e o casal Tereza Ângelo e Gerson Theodoro de Oliveira, irmão de Gilson.
Nessa época, encerrava-se a primeira fase da VPR. Com a fusão com o COLINA, surgia a Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares -VAR-P.

 

O ressurgimento da VPR
Após o II Congresso do Racha  e a reunião com uma comissão da VAR-P, no bar do Hotel das Paineiras, o grupo do "racha " designou uma Comissão Reestruturadora- Nacional, integrada por Carlos Lamarca, Juarez Guimarães de Brito e Cláudio de Souza Ribeiro, a fim de reorganizar a VPR.
Entretanto o mês de outubro de 1969 foi trágico para a VPR. No dia 14, a prisão de Reinaldo José de Melo, que havia participado da "grande ação"  ( roubo do cofre do Adhemar), possibilitou a identificação de diversos militantes da VAR- Palmares e dos que haviam aderido ao "racha". No dia 16, foi preso Carlos Minc Baumfeld, que também participara do roubo do cofre, e que denunciou o "aparelho" da VPR, na Rua Toroqui, nº 59, em Vila Kosmos, na Guanabara, onde residia oom Sônia Eliane Lafoz e Eremias Delizoikov, que, resistindo a tiros à voz de prisão, morreu no local. Alguns dias depois, a VPR distribuiu um panfleto clamando por  vingança aos seus mortos, particularmente ao Eremias, e ameaçando os militares do Exército: 
"...podem esperar, nós vamos enchê-los de chumbo quente".
No inicio de novembro de 1969, foi realizado um Congresso Nacional,na Barra da Tijuca, no Rio, onde entre outros, estiveram presente: Juarez e Maria do Carmo Brito, Cláudio de Souza Ribeiro, Darcy Rodrigues, Herbert Eustáquio de Carvalho, Liszt Benjamin Vieira, Inês Etienne Romeu, Diógenes José Carvalho de Oliveira, Ladislas Dowbor, Sônia Eliane Lafoz,Iara Iavelberg, amante de Lamarca e Osvaldo Soares. Nessa ocasião o "grupo do racha" adotou, oficialmente, o antigo nome de VPR e elegeu um novo Comando Nacional- CN, integrado por Carlos Lamarca, Maria do Carmo Brito e Ladislas Dowbor. Juarez Guimarães de Brito não quis integrar o CN , preferindo ficar em sua assessoria, juntamente com Herbert Eustáquio de Carvalho.
A estrutura foi reformulada, criando-se dois comandos subordinados ao CN: o Comando Rural ou de Campo e o Comando Urbano, que possuía, em cada regional, um Setor de Inteligência e uma Unidade de Combate.
Desde agosto de 1969, a regional de São Paulo da antiga VPR possuia um sítio em Jacupiranga, próximo ao km 254 da BR 116,onde fazia treinamentos de tiro e marchas tipo guerrilha. Lamarca, nomeado comandante-em-chefe da VPR, não havia participado do congresso, pois se encontrava dirigindo esses treinamentos. Entranto, a proximidade dessa área a uma rodovia e a regiões urbana fez com que a VPR  a desmobilizasse e ativasse a área de Registro, no Vale da Ribeira. Além desta,a VPR iniciou a preparação de mais duas áreas de treinamento, visando à implantação de uma futura coluna móvel guerrilheira: em Goiás, para onde: foi enviado o militante Manoel Dias do Nascimento; e na rcgião norte do Rio Grande do Sul, entre Três Passos e Tenente Portela, dirigida por Roberto Antônio de Fortini, que chegou a criar, em dezembro de 1969, uma empresa de "fachada", a "Sociedade Pesqueira Alto Uruguai Ltda".
Em dezembro, a Unidade de Combate da VPR na Guanabara realizou dois assaItos para roubo de armas:
- a um quartel do Exército, em Triagem, quando foram obtidas duas metralhadoras; e
- a um quartel da Aeronáutica, na Avenida Brasil, quando três fuzis foram levados. Nos últimos dias do ano, em "frente" com a ALN, o MRT e a REDE, a VPR assaltou os bancos Itaú-América e Mercantil, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo.
O ano de 1969 encerrou-se com um mau presságio para a VPR. A prisão, em 29 de dezembro, em Nanuque, Minas Gerais, do ex-Cabo do Exército José Mariane Ferreira Alves, que havia participado do roubo de armas do 4º RI, levou a polícia a descobrir as ligações de Lamarca com dois oficiais da ativa do Exército, o Capitão Altair Luchesi Campos e o Tenente Rui Amorim de Lima. Apesar do Cabo Mariane ter optado em ficar na VAR-P, sua militância anterior na VPR possibilitou o desvendamento da infiltração desta organização no Exército.

Comentários  
#1 Ana Maria Lunardi 31-03-2014 14:03
Preciso muito encontrar Rui Amorim de Lima. Peço a gentileza de me auxiliarem
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