Patrícia Campos Mello, correspondente em Washington- O Estado de São Paulo
O novo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, reconheceu que EUA e Brasil têm divergências e disse que a relação bilateral terá "desafios" porque os dois países estão se encontrando em cenários onde isso não ocorria, como na diplomacia no Oriente Médio. Essa foi a mensagem do embaixador em sua primeira apresentação pública após ter seu nome aprovado pelo Congresso americano.
Com a expansão das ambições da diplomacia brasileira, que pretende atuar em assuntos como mediação do conflito entre israelenses e palestinos e na questão nuclear do Irã, haverá divergências entre os dois países.  

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"Um dos desafios é chegarmos a um entendimento em partes do mundo onde isso não ocorria anteriormente", disse ele, em palestra no Woodrow Wilson International Center. O embaixador apresenta suas credenciais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 4 de fevereiro.
Nos últimos meses, houve deterioração nas relações. No caso da eleição em Honduras, o Brasil insistia na restituição do líder deposto Manuel Zelaya e se irritou com a iniciativa dos EUA de ampliar bases na Colômbia sem consultar países da região. Por fim, a iniciativa de Lula de receber o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad foi outro ponto de tensão. "Não são muitos os países do mundo que podem ter suas próprias opiniões, e o Brasil é um deles", disse Shannon. "O desafio é fazer com que nossas opiniões sejam coincidentes mais vezes."
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