Mário Covas
Wagner Gomes - O Globo
SÃO PAULO. O ex-governador de São Paulo Mario Covas, morto em 2001 em decorrência de um câncer no intestino, foi considerado ontem pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vítima da ditadura militar, e sua família receberá uma indenização de R$100 mil. A decisão foi anunciada em São Paulo pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, durante reunião da Caravana da Anistia, na sede da Força Sindical, onde foram julgados 88 processos de pessoas perseguidas politicamente durante o regime militar, de 1964 a 1985.
A família de Covas queria uma indenização de R$2,3 milhões, referentes ao salários que ele deixou de receber durante dez anos como deputado federal. Covas teve o mandato cassado em 1969, mas a Caravana da Anistia não reconheceu esse pleito e fixou a indenização em R$100 mil.
A reunião foi presidida por Tarso. Desde 2008, quando foi criada, a caravana já passou por 17 estados e julgou mais de 700 pedidos de anistia.
- A Caravana da Anistia não visa a revirar ódio, promover revanchismo ou vingança. Ela alerta para o que aconteceu no passado, o que o regime de força nos submeteu - disse Tarso.
A respeito da solenidade leiam trecho de  Reinaldo Azevedo - http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/   :

"(...)Na Folha, Tarso aparece abraçado a Clara Charf, viúva de Carlos Matighella. A cena apela às nossas emoções sem dúvida. Um senhora de 84 anos se aninha no ombro
 
                  Carlos Marighela
amigo e paternalista do ainda ministro da Justiça, este pacificador…
Respeito a dor e o sofrimento individual de Clara. É justo que chore os seus mortos. Mas seu marido era um facínora. Seu marido escreveu e aplicou um tal Minimanual da Guerrilha, que era um roteiro para ações terroristas — aliás, explicitamente, defende a utilidade política do terror. Foi o chefão da ALN — Ação Libertadora Nacional —, a que pertence Paulo Vannuchi.
A DOR DE CLARA CHARF É CERTAMETNE REAL, MAS A CENA COM TARSO GENRO, COMO SE CELEBRASSEM A SOBREVIVÊNCIA DE UMA UTOPIA É FALSA. Marighella, Vannuchi, Tarso e afins queriam uma ditadura. E o tal manual diz o que é preciso para isso: sair matando soldados por aí e agentes do regime. E não poupa nem hospitais.
Nunca ninguém abraçou os parentes das pessoas que Marighella e seu bando mataram. Não tiveram direito à bufunfa. Não tiveram direito a solenidades. Não tiveram direito à reparação. Seu único benefício foi terem sido poupados da tal “Canção da América”.
O Brasil tem direito à verdade"

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