Por Paulo Roberto Pinheiro

Caros amigos.
Há muito tempo estamos sendo submetidos à humilhação de ver antigos terroristas,assaltantes e seqüestradores sendo enaltecidos na opinião pública brasileira, recebendo polpudas indenizações e saborosas pensões vitalícias e ocupando cargos importantíssimos nos três Poderes da República.

Paraíso de comunistas, foi o que nos transformamos.

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Até aí, tudo bem .Paciência, perdemos a guerra .Pode ser que,amanhã, venha outro tipo de gente para ocupar o poder . Há, sempre, uma esperança ,já que nada dura para sempre.

Mas, o que me incomoda mesmo é saber ,já antecipadamente, que o futuro Ministro da Comunicação Social, o comuna da pesada Franklin Martins e o próximo Ministro da Defesa, provavelmente outro "vermelhão" a ser escolhido, dentro em breve estarão sendo agraciados com Medalhas de Mérito da Marinha, Exército e Aeronáutica, por "serviços relevantes prestados às Forças".

Creio que, nas cerimônias de entrega dessas medalhas, os Oficiais-Generais que estiverem presentes não sentirão nada. Muitos não entenderão os motivos pelos quais o Comandante Pinheiro vive reclamando disso e mostrando sua repulsa.Alguns poderão até simpatizar e se solidarizar com os agraciados, pelo simples fato de que, também, foram anestesiados, ao longo do tempo, no mesmo bolo dos demais brasileiros e não receberam um vigoroso trabalho de conscientização, que deveria ter sido conduzido, no meio militar, a partir de 1990.

O que vimos, foram militares de alto posto em silêncio respeitoso, recebendo agressões de todas as direções e não reagindo, com a força devida, em defesa da atuação das Forças Armadas, na tutela do país, entre 1964 e 1984 .A intenção desse silêncio respeitoso e dessa pouca disposição para a reação pode até ser compreendida, mas foi desastrosa.

De um lado, os comunas batendo e de outro lado os militares apanhando.O resultado aí está.

Preparemo-nos para mais desgostos, já no limiar de nossos 70 anos de idade.Mas nunca é tarde para insistir que é preciso acabar com essas condecorações de praxe,em que são agraciadas pessoas apenas em função dos cargos que ocupam, enfiando-se a martelo a parte relativa a "serviços relevantes prestados".

Esses agraciados,sem mérito real,deveriam morrer de vergonha ao serem informados de suas condecorações e deveriam, delicadamente, recusá-las. E mais vergonha ainda deveriam sentir os militares que propõem medalhas a essas pessoas.

Já me alegaram, no nosso meio, que o Presidente da República, sendo o Grão – Mestre das Ordens, pode mandar condecorar quem ele quizer . Muito bem . Se assim tiver que ser, ele que condecore, entre as paredes de seu Gabinete, no Palácio ou onde desejar, acompanhado de seus cupinchas e não comprometa a dignidade do uniforme militar,submetendo homens fardados ao vexame de ter que homenagear antigos desafetos.

Que serviços relevantes pode ter prestado o Franklin Martins ?

Tenho uma sugestão para as Autoridades Militares :

-que, nos documentos relativos à condecoração, conste, em português claro, as razões explicitas do mérito que justificou a concessão da comenda.Não devem ser aceitas razões vagas,como, por exemplo, a expressão "bons serviços prestados"; e

-que, nas cerimônias de condecoração,sejam lidos em microfone e sem cortes, os currículos-vitae profissionais e o histórico de vida dos agraciados (todos, civis ou militares, comunas ou não) ou,se isso for considerado "deselegante" ou cansativo, que sejam distribuídos, por escrito, aos presentes, para que,pelo menos, os convidados mais esquecidos conheçam melhor os que estão sendo homenageados.

Rio de Janeiro, em 23 de março de 2007.

Paulo Roberto Pinheiro

Capitão-de-Mar-e-Guerra

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