Por Editoria - Jornal O DIA
Ex-refém da guerrilha, ministro colombiano afirma que Hugo Chávez tornou-se um líder ideológico de seus seqüestradores

BOGOTÁ - O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, afirmou ontem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, transformou-se em um “líder ideológico” para a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Araújo disse ter confirmado de perto a admiração por Chávez durante os seis anos em que ficou refém dos guerrilheiros, na selva colombiana.

Texto completo
“Eles (os guerrilheiros) gostam da revolução bolivariana de Chávez. Eles pensam que ele é o líder ideológico deles neste momento”, disse Araújo em um evento do Conselho das Américas, um centro de investigação em Washington.

O chanceler disse que nos acampamentos do grupo guerrilheiro pode-se ler a biografia de Chávez, um inimigo das políticas norte-americanas, assim como escutar seu programa de rádio. Ele deixou claro, no entanto, que isso não significa que o presidente venezuelano tenha uma relação direta com a guerrilha.

Araújo ressaltou que o entendimento entre Colômbia — maior aliada dos Estados Unidos na região — e Venezuela é importante para os dois países e que buscará manter “as melhores relações” com seu vizinho. Desde 2000, a Colômbia já recebeu mais de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 8,8 bilhões) do Plano Colômbia, que tem como objetivo combater a guerrilha e o tráfico de drogas.

Araújo foi seqüestrado pelas Farc enquanto era ministro do desenvolvimento do então presidente Andrés Pastrana e escapou do cativeiro no dia 7 de janeiro. Ele aproveitou uma operação do exército que deixou seis mortos no acampamento onde era mantido refém para fugir, mas teve que andar por cinco dias na mata até conseguir obter ajuda.

O objetivo do ministro nos Estados Unidos é obter apoio para a extensão do Plano Colômbia e a aprovação do Tratado de Livre Comércio (TLC), assinado com os americanos no ano passado. Essas medidas ainda dependem da aprovação do Congresso norte-americano.

Mais tarde, Araújo reconheceu como inoportunos seus comentários: “Não foram oportunos, talvez eu não devesse ter feito estas declarações em público e por isso esclareci isso aqui em Washington com o embaixador da Venezuela”.

http://odia.terra.com.br/mundo/htm/geral_88768.asp 

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar