Por Marcelo Alcoforado
Hoje é o Dia Internacional do Teatro. Reverenciem-se os grandes nomes da nossa dramaturgia, mas, como teatro é, sobretudo, espetáculo, aplauda-se, com muito mais entusiasmo, o governofederal.
Não se peça bis, contudo.
Para entender o enredo, rememore-se, desde já,  que o Brasil não tem um ator qualquer a presidirpaís. Por felicidade nossa, somos governados por um demiurgo, alguém com o poder de transformar a caneta que usa em uma eficiente vara de condão. Alguém que possui não prosaicas realizações a exibir, mas milagres.

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Veja-se o caso do crescimento econômico: o Produto Interno Bruto nacional, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país, vinha, há anos, apresentando um crescimento pífio. Na América Latina, era superior apenas ao do conflagrado Haiti, apesar dos sucessivos anúncios da iminente chegada do espetáculo do crescimento.

Promessas, contudo, não se transformavam em realidades. Então, cabia fazer o quê?

Fazer conta de chegar. Ou milagre, ora.

Assim, da noite para o dia, graças a uma nova metodologia de aferição do PIB deixamos para trás problemas de raquitismo econômico, passando a ser a oitava economia do mundo. Pensando bem, os outros países que se cuidem, que tratem de crescer. Ou de mudar de chefe de governo. Ou de ator.

Aliás, convém advertir que da Itália e da França já estamos nos calcanhares e, do jeito que as coisas agora irão, com o novo método e sobimpulso do PAC não demora a alcançarmos o topo.

Parece difícil? Não há problema. Se no meio do caminho surgirem recidivas do raquitismo píbico (permita-se o neologismo), poderemos outravez mudar o remédio – os métodos, melhor dizendo – e sanar qualquer problema.

Afinal, não é à toa, e, sim, por mais um desempenho espetacular dos nossos atores, que o Brasil, e, em conseqüência, os brasileiros, estamos mais ricos.

A propósito, você já verificou a quantas anda sua conta bancária hoje?

 

 

Marcelo Alcoforado

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