TERNUMA Regional Brasília
Pelo Cel Reformado Paulo Carvalho Espíndola

Temo que a juventude de hoje careça de exemplos para moldar-lhe o caráter e encaminhar-lhe na senda da retidão e dos mais justos princípios de cidadania. Agora, ser brasileiro é pintar a cara em manifestações de jovens tangidos por agremiações, que não têm outro objetivo senão o de mudar a ordem estabelecida ou, simplesmente, subvertê-la. Cultuar os símbolos nacionais é coisa de milicos “retrógrados” e cantar o Hino Nacional é para jogos da seleção brasileira ou para comícios coloridos de vermelho.

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  Também fui jovem e nos anos sessenta assistia a muitos dos meus parceiros de idade a vociferar contra uma ditadura que eu não enxergava, pois que via meu país crescer em níveis jamais alcançados e a constatar que havia real distribuição de renda e o pleno emprego. Alguns deles desviaram-se pela luta armada, intoxicados pela droga química e pela droga ideológica, enveredando na busca de uma verdadeira ditadura: a marxista-leninista. Hoje, os que dela sobreviveram ganharam nababescas indenizações e consideráveis pensões pela bravatas criminosas em que se meteram.

 Graças a Deus, segui outro caminho, inspirado por meu pai, velho Sargento febiano, e por meu irmão, brioso Oficial de Artilharia.

 Chegado à Academia Militar das Agulhas Negras, fui incluído na 3ª Companhia do Curso Básico, sob o comando do Cap Flávio Américo dos Reis. Grande Chefe e amigo, o Cap Flávio preparou-nos física e moralmente para receber o espadim - a miniatura do sabre de Caxias, “o próprio símbolo da honra militar”. Dele copiei muitíssimas de minhas atitudes ao longo de minha carreira.

  Ainda no Curso Básico da AMAN, convivi com oficiais da mesma têmpera, que nos tiravam o “couro” na instrução militar e no dia-a-dia. Deles destaco os Ten Araújo - o Ten “Araujinho Sete Facas” - e o saudoso Ten Carvalho Lopes. Nós os “odiávamos”, mas guardamos deles admiração e reconhecimento. Eles contribuíram, em muito, para que compreendêssemos a máxima escrita na parede do Pátio de Formaturas da AMAN: “Cadete, ides comandar, aprendei a obedecer”. 

 No Curso de Artilharia tive a honra de ter como instrutores o Cap Simon Sanpedro, o Ten Ricardo Barbalho Lamellas e o Ten Paulo César Castro. Homens sem jaça, transfundiam em nós dignidade, valor militar e os melhores ensinamentos acerca da profissão. Foram sempre o paradigma do artilheiro de que me orgulho de ser. Dedico a eles o poema “Se”, que, dentre outros versos, diz:

“Se o tiro não comandas com justeza,
inteligência e máxima presteza... Se a lealdade em ti não é virtude,
que só te abone a prática da ação,
que vem d'alma como do canhão... Se das bocas de fogo entre os clarões
Deus não te crê dos raios e trovões,
Digo-te então: erraste a vocação. Para trás inditoso companheiro!
Não poderás nunca ser um ARTILHEIRO!  

 

 Culmino estas considerações sobre a minha formação militar com o que me dizia um dos meus mais ilustres comandantes, o Cel Sérgio Mário Pasquali: “O Sargento é o executante perfeito”. Disso me orgulhava, por eu ser filho de Sargento e assim ver meu velho pai.

 Não tenho a veleidade de considerar que somente no meio militar vicejam bons exemplos. Muito pelo contrário, inúmeros brasileiros foram sinônimos de honradez e de devoção ao Brasil. Deles guardam-se virtudes, embora esquecidas nos escaninhos da História. Um dos maiores, não teve pejo em dizer:

 "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus; o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto" (Rui Barbosa).

 Hoje a sociedade brasileira encontra-se sem rumo, na mão de “revolucionários”, que só fazem revolução nos saldos de suas contas bancárias.

 Um trêfego presidente não comanda nem a moralidade da sua família, que, vez por outra, embaralha-se em acusações de improbidade. Ele, segundo o presidente da Câmara, ganha pouco. Pouco ou não, seu patrimônio multiplicou-se por muito, em quatro anos de governo. Isso quem diz não sou eu. É só verificar o que ele declarou à Justiça Eleitoral.

 Mensalões, corrupção ativa e passiva estão aí, sem apuração e sem admissão de culpa por culpados diretos ou indiretos. É o mau exemplo institucionalizado. É a malfadada lei de Gérson, como me disse, certa feita, um candidato a prefeito de uma cidadezinha do Ceará: “Só não vou enricar, pois a cidade é pobre, mas não vou sair da prefeitura como cheguei”.

  Com tristeza agora vemos toda essa sordidez alcançar um grupo de sargentos da Aeronáutica - grafo com inicial minúscula. Esqueceram-se eles de velhos exemplos de velhos tempos e preferiram os descaminhos da insubordinação e do motim, sob as bênçãos de quem deveria preservar a hierarquia e a disciplina, como comandante - em - chefe das Forças Armadas. Olvidam esses amotinados do juramento que fizeram perante a Bandeira do Brasil: “... e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições, defenderei com o sacrifício da própria vida”. Se não estou enganado, esse comandante supremo é co-autor de um crime militar.

 Voltando ao meu ídolo do passado, lembro as palavras do Cap Flávio Américo dos Reis: “cadeia não foi feita para cachorro, mas para gente que merece correção”.

 Direitos humanos também não são para cachorros, mas para quem preza e cumpre a lei.

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