Por  Reinaldo Azevedo

Lula dá aula de disciplina e hierarquia aos comandantes militares
O presidente Lula fez uma reunião com o ministro da Defesa (Waldir Pires) e com os três comandantes militares: Juniti Saito (Aeronáutica), Enzo Peri (Exército) e Júlio Soares de Moura Neto (Marinha). Foi um encontro para se explicar. Disse aos comandantes o que era possível dizer: cedeu a todas as reivindicações porque não poderia extremar a situação etc, etc, etc. Parecia até que a crise tinha, então, seis horas e não seis meses.

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Dos comandantes, ouviu o óbvio. Quebrou-se um precedente, e o risco é que a prática se generalize. Saito observou que há outras categorias técnicas — os responsáveis pela comunicação via rádio, por exemplo — que podem parar o controle aéreo se decidirem se insubordinar. Com valentia tardia, Lula afirmou aos comandantes militares que não ficará refém dos controladores de vôo. É mesmo? E lembrou que o Ministério Público Militar é independente. Em suma: Lula aposta que os promotores façam o que ele não fez — prática que, diga-se, é a cara do presidente e do seu partido, o PT. Os controladores avisam: se os promotores pedirem a punição, eles param de novo.

A síntese da reunião poderia ser esta: “Olhem aqui, como o meu governo, há seis meses, está imobilizado diante da crise, a única saída foi desmoralizar o comandante da Aeronáutica e entregar os céus do Brasil ao proselitismo sindical”.

Os comandantes militares fizeram de conta que entenderam tudo. E é mesmo uma sorte que eles não façam com Lula, seu chefe formal, o que Lula estimulou os sargentos a fazer com eles.

Que coisa! Enquanto deixavam a reunião, os três tinham acabado de receber uma lição do Apedeuta: a hierarquia e a disciplina militares devem ser subordinar às necessidades políticas. Os militares não recebiam essa instrução desde 1964...
 Reinaldo Azevedo

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